JARARACA[S], do Grupo Pavilhão da Magnólia, faz temporada gratuita no TUSP, em São Paulo
JARARACA[S], do Grupo Pavilhão da Magnólia, faz temporada gratuita no TUSP, em São Paulo
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| JARARACA[S] - Crédito Tim Oliveira |
O Grupo Pavilhão da Magnólia retorna a São Paulo para uma temporada de JARARACA[S], seu mais novo espetáculo, que será apresentado gratuitamente no Teatro da USP (TUSP Maria Antônia), de 15 de outubro a 8 de novembro de 2026. As sessões acontecem de quinta a sábado, às 20h, e aos domingos, às 19h. A temporada foi contemplada pelo edital de ocupação do TUSP de 2026.
Com dramaturgia do multiartista pernambucano Giordano Castro e direção do cearense Murillo Ramos, JARARACA[S] parte dos últimos sete dias de vida de José Leite de Santana, o Jararaca, integrante do bando de Lampião. Após a frustrada invasão de Mossoró (RN), em 1927, Jararaca foi baleado, capturado, preso, torturado e assassinado pela polícia. Décadas depois, tornou-se uma figura reverenciada como santo popular na cidade potiguar.
É a partir dessa trajetória que o espetáculo investiga as relações entre memória, apagamento, violência e disputa de narrativas. Mais do que reconstruir um episódio histórico, a montagem pergunta quem tem o poder de decidir quais vidas serão lembradas, quais histórias permanecem e quais são empurradas para o silêncio.
Ao revisitar a morte de Jararaca, JARARACA[S] desloca o episódio de 1927 para o Brasil contemporâneo e questiona a permanência de estruturas de violência de Estado. A pergunta “Quem mandou matar Jararaca? Quem mandou matar Marielle?” aproxima tempos e histórias distintas para provocar uma reflexão sobre os mecanismos que definem quais corpos podem ser eliminados, quais mortes ganham reconhecimento e quais são naturalizadas ou esquecidas.
A montagem também coloca em tensão a própria ideia de memória. Quem conta uma história? A partir de que lugar? O que acontece quando diferentes versões de um mesmo acontecimento entram em conflito? Ao levar para a cena uma figura que transitou da condição de cangaceiro perseguido à de santo popular, o espetáculo investiga como memória, mito, violência e poder participam da construção das narrativas sobre o passado.
Nesse movimento, o espetáculo também revisita criticamente os imaginários construídos sobre o Nordeste e o cangaço. Em vez de reproduzir uma imagem folclorizada do sertão, a montagem procura revelar as contradições de uma história atravessada por disputas, desigualdades e diferentes formas de violência. Recuperar essas memórias significa, assim, não apenas olhar para o passado, mas interrogar o país que permanece sendo construído a partir dessas histórias.
“Nos interessa ir além da imagem folclorizada do cangaço e do estereótipo do sertão. O espetáculo investiga as contradições dessa história e as violências que permanecem presentes na sociedade brasileira”, afirma o ator Nelson Albuquerque.
Ao colocar um corpo morto novamente em cena, JARARACA[S] também reflete sobre o papel do teatro diante daquilo que a história oficial transforma em silêncio. A cena se torna espaço para reabrir histórias, confrontar versões e devolver presença a personagens e acontecimentos que permanecem disputando um lugar na memória coletiva.
SOBRE O ESPETÁCULO
JARARACA[S] investiga os últimos dias de vida de Jararaca, cangaceiro morto pela polícia e hoje reverenciado como santo popular em Mossoró (RN), tensionando as fronteiras entre memória, mito e apagamento histórico. A obra propõe um olhar crítico sobre as violências de Estado que atravessam passado e presente e sobre quem tem o direito de narrar a história.
A montagem lança perguntas inquietantes: quais vidas são marcadas para morrer? Quem tem o direito ao luto? Quem conta a história depois? E que outras versões ainda seguem soterradas pelo silêncio?
JARARACA[S] estreou em maio de 2026, no Itaú Cultural, em São Paulo, e passou por Fortaleza, com apresentações no Festival Bora e no Teatro Carlos Câmara. A montagem é uma parceria entre o Grupo Pavilhão da Magnólia, o Itaú Cultural e o Hub Cultural Porto Dragão, equipamento do Governo do Estado do Ceará voltado à difusão, formação e articulação da produção artística e cultural cearense.
Em 2025, o Grupo Pavilhão da Magnólia recebeu o Prêmio Shell de Teatro, na categoria Destaque Nacional, pelo espetáculo A Força da Água.
Ficha Técnica
Concepção e Criação: Grupo Pavilhão da Magnólia
Dramaturgia: Giordano Castro
Direção: Murillo Ramos
Elenco: Silvianne Lima, Jota Junior Santos, Nelson Albuquerque e rudriquix
Trilha Sonora e Performance: rudriquix
Música "Sete": Murillo Ramos
Música "Imã": Ednardo
Música "Quem é ele": Betto Douglas e Fernando Santos
Preparação Vocal: Thiago Nunes
Iluminação: Wallace Rios
Direção de Movimento: Clarissa Costa e Eder Soares
Direção de Arte, Objetos Cênicos e Vídeo: Daniel Torres
Cenografia: Rodrigo Frota
Figurinos: Themis Memória
Fotos: Tim Oliveira
Vídeos: Allan Diniz
Identidade Visual: Renan Costa Lima
Colaboração na Pesquisa: A Máscara de Teatro (Mossoró/RN)
Coordenação de Produção: Som e Fúria
Produção Executiva: Silvianne Lima e Jota Junior Santos
Apoio: Casa Absurda e Itaú Cultural
Co-produção: Hub Cultural Porto Dragão
SERVIÇO
JARARACA[S] – Grupo Pavilhão da Magnólia
De 15/10 a 08/11
Quinta a sábado, às 20h e domingo, às 19h
TUSP MARIA ANTÔNIA - Rua. Maria Antônia, 294 - Vila Buarque, São Paulo - SP
Classificação: 16 anos | Capacidade: 100 lugares | Duração: 90 min | Gratuito
https://usp.br/tusp/em-cartaz/ https://www.instagram.com/tusp.teatrodausp/

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