EXPOSIÇÃO - J. BORGES - 80 ANOS
Exposição - J. Borges - 80 anos
(Divulgação/Caixa Cultural)
Quando: 11/03/2017 a 07/05/2017
Local: Caixa Cultural São Paulo
Praça da Sé, 111 - Centro - São Paulo - SP
Praça da Sé, 111 - Centro - São Paulo - SP
J. Borges - José Francisco Borges (Bezerros, Pernambuco, 1935).
Artista popular, xilogravador e poeta. Filho de agricultores, frequenta a escola aos 12 anos, apenas por dez
meses. Realiza diversas atividades: é marceneiro, mascate, pintor de parede,
oleiro etc. Em 1956, compra um lote de folhetos de cordel e começa a atuar como
vendedor em feiras populares. Em 1964, escreve seu primeiro folheto, O
Encontro de Dois Vaqueiros no Sertão de Petrolina, que é ilustrado pelo
artista Dila (1937), de Caruaru, e publicado pelo folheteiro Antônio Ferreira
da Silva, que acompanhava J. Borges nas feiras do interior.
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| Foto: Sidnei Lugouv - Exposição - J. Borges - 80 anos - Caixa Cultural SP |
O folheto é um sucesso e vende cinco mil eemplares em apenas dois meses. Na
segunda publicação, O Verdadeiro Aviso de Frei Damião sobre os
Castigos que Vêm, J. Borges não encontra um clichê para
a ilustração da capa do folheto e, por economia, produz sua primeira
xilogravura, inspirada na fachada da igreja de Bezerros. Com esse trabalho, tem
início sua carreira como xilogravador. Em pouco tempo, ele adquire máquinas tipográficas
e passa a editar folhetos.
A partir de 1970, começa a receber diversas
encomendas de gravuras, o que fortalece sua obra e estimula a autonomia de suas
gravuras em relação ao cordel. J. Borges continua escrevendo e produzindo
cordéis por vinte anos e cria a gráfica Casa de Cultura Serra Negra, em
Bezerros, na qual ensina o ofício a seus filhos. A xilogravura lhe dá projeção
nacional e internacional: ele ilustra livros, como o Palavras
Andantes, do escritor uruguaio Eduardo Galeano (1940-2015), lançado pela
LP&M, em 1993; participa de diversas exposições; e ministra oficinas e
workshops sobre cordel e xilogravura. A partir da década de 1980, seu trabalho
recebe prêmios que atestam a importância de sua contribuição como artista
popular. Entre eles, o prêmio de gravura Manoel Mendive, na 5ª Bienal
Internacional Salvador Valero Trujillo, Venezuela, em 1995; medalha de honra ao
mérito da Fundação Joaquim Nabuco, Recife, em 1990; medalha de honra ao mérito
cultural, do Palácio do Planalto, Brasília, em 1999; e o Prêmio Unesco, em
2000. Em 2006, J. Borges passa a receber bolsa vitalícia concedida com a Lei do
Registro do Patrimônio Vivo² e é criado o Memorial J. Borges, em Bezerros,
que assume as funções de ateliê, oficina e galeria.
Análise
da trajetória
Apesar de ter iniciado sua carreira como cordelista, é pelas xilogravuras que J. Borges se destaca. É considerado pelo escrito Ariano Suassuna (1927-2014 o melhor gravador popular do Brasil. Autodidata, J. Borges desenha direto na madeira e muitas vezes as imagens são feitas de memória. O fundo da matriz é talhado ao redor da figura que recebe aplicação de tinta, tendo como resultado um fundo branco e a imagem impressa em cor.
As xilogravuras de J. Borges não apresentam
uma preocupação rigorosa com perspectiva ou proporção, o artista costuma
assinar na matriz e, em geral, seus trabalhos não possuem tiragem limitada. Os
principais temas de sua obra podem ser separados em quatro grupos. O primeiro
diz respeito às personagens fantásticas do imaginário regional, como a mula sem
cabeça. No segundo grupo, se encontram personagens famosas de folhetos de
cordel, como o Pavão Misterioso. No terceiro estão personagens e temas emblemáticos
da cultura nordestina: Lampião, Padre Cícero, a seca, a festa de São João etc.
E, por fim, o quarto grupo apresenta temas do cotidiano, como os bares, as
brigas de galo, as cerimônias ecumênicas e a política.
Esse imaginário adquire um aspecto documental,
uma vez que se trata de um registro espontâneo e instantâneo da cultura. No
entanto, deve-se atentar também para seu valor estético. Considerar esse valor
é fundamental para atualizar a compreensão da obra de J. Borges, o que
contribui para arejar o entendimento de arte popular. Como defende a arquiteta
ítalo-brasileira Lina Bo Bardi (1914-1992) cultura popular é diferente de folclore: "Quando a
produção popular se petrifica em folclore [...] as possibilidades da cultura
autóctone são substituídas por 'frases feitas', pela 'supina repetição' e pela
'definitiva sujeição a esquemas esvaziados' ".4 Para ela, pensar a arte popular é recuperar as condições
de criação dadas em um determinado contexto histórico, pois, assim, entende-se
que essa criação é mais complexa do que reproduzir um objeto fazendo uso dos
mesmos materiais. É necessário, portanto, libertar-se dessas predefinições
sobre o que representa a cultura popular, para dar conta da abrangência e
importância da obra desse artista.
Fonte:
· J. Borges. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e
Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em:
<http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa8837/j-borges>. Acesso em:
28 de Abr. 2017. Verbete da Enciclopédia.
ISBN: 978-85-7979-060-7
ISBN: 978-85-7979-060-7
CAIXA CULTURAL SÃO PAULO
Pesquisa: Sidnei Luciano Gouveia
Fotos Visitação (2017): Sidnei Lugouv
Fonte: CAIXA Cultural São Paulo
📍
Endereço: Praça da Sé,111, Centro São Paulo - SP, Brasil
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Contato: +55 (11) 3321-4400
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https://www.caixacultural.gov.br/Paginas/SaoPaulo.aspx






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