EXPOSIÇÃO: 35º Panorama da Arte Brasileira - Brasil por multiplicação - MAM SP
EXPOSIÇÃO:
35º Panorama da Arte Brasileira - Brasil por multiplicação
MAM - SP
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Foto: Sidnei Lugouv – Exposição - 35º Panorama da Arte Brasileira - Brasil por multiplicação – MAM - 2017 |
35º Panorama da Arte
Brasileira: Brasil por multiplicação
Da adversidade
seguimos vivendo. Em 1967, Hélio Oiticica escreveu um texto determinante para
se pensar a arte e o Brasil. Intitulado “Esquema Geral da Nova Objetividade”,
há nele um desenho panorâmico da cena artística àquela altura e dos desafios a
serem enfrentados. Escrito em um momento politicamente tenso, com
desalentadoras perspectivas de futuro, para dizer o mínimo, ele destaca seis
características da arte brasileira: (1) vontade construtiva; (2) tendência para
o objeto; (3) participação do espectador (corporal, tátil, semântica); (4)
abordagem e tomada de posição em relação a problemas políticos, sociais e
éticos; (5) tendência para proposições coletivas; (6) ressurgimento e novas
formulações do conceito de antiarte.
Uma pergunta, ainda
atual, perpassava a escrita do Esquema Geral: como apostar em uma relação nova
entre singularidade local e inserção global. No caso da cultura brasileira – e
isso foi colocado de modo muito original pela geração tropicalista sob a influência
da Antropofagia – nossa singularidade foi sendo construída pela mistura de
diferentes matrizes culturais. Ou seja, não temos uma essência própria, uma
marca de origem a ser depurada de qualquer contaminação indesejada, vivemos da
apropriação constante do outro, somos uma colagem de influências que não para
de se transformar. Como escreveu Oiticica, estamos sempre “à procura de uma
caracterização cultural, no que nos diferenciamos do europeu com seu peso
cultural milenar e do americano do norte com suas solicitações
superprodutivas”.
As seis
características apontadas acima seguem valendo – não obstante as diferenças de
contexto – para se pensar a arte produzida hoje. Buscamos evidenciar isso neste
Panorama. Sem qualquer tematização daquelas tendências, elas perpassam
indiretamente os trabalhos aqui apresentados. A despeito da falência da ideia
de progresso e de uma avassaladora crise urbana e ambiental, ainda resiste uma
vontade construtiva entre nós. Uma construção que se sabe frágil, mas crucial
para enfrentar os riscos de uma informalidade desagregadora. Nota-se também uma
crescente abertura do fazer artístico para problemas sociais, éticos e
políticos, ou seja, para um engajamento, nada simplificador, que acredita nas
brechas em que a arte quer se infiltrar para tentar mudar as coisas –
sabendo-se que querer mudar não basta e que sua impotência pode ter
desdobramentos imprevistos.
Reunir em uma
exposição, que se pretende um Panorama da Arte Brasileira, desde a concretude
da intervenção arquitetônica até a fluidez da dança, passando pelo audiovisual,
pela escultura, pela fotografia e pela palavra, mais que explicitar a
diversidade da cena contemporânea, em que a divisão de meios expressivos e de
disciplinas parece obsoleta, busca ressaltar a multiplicidade de tempos que
compõem nosso momento histórico. O tempo do corpo que dança, da palavra escrita
e da imagem projetada respondem a formas de percepção e de experiência plurais.
Simultaneamente, é parte de nosso desafio articular os diferentes imaginários
que se contaminam e se multiplicam no Brasil entre a cidade e a floresta, as
comunidades periféricas e os centros cosmopolitas, entre o caos, a
indeterminação e o mito.
Misturar poéticas
conflitantes, trazer outras vozes e gestos para dentro das instituições que
constroem as narrativas hegemônicas, revelar antagonismos e diferenças, tudo
isso é parte de uma ideia de Panorama e de uma discussão sobre o Brasil. Isso,
no exato momento em que o Brasil vive uma de suas piores crises de identidade,
quando a promessa de futuro virou uma terrível distopia que constrange as
possibilidades do presente, parece propício colocar, mais uma vez, a pergunta
sobre o Brasil. O Problema-Brasil é um desafio e uma miragem: aparece como
promessa de alegria, mas escapa quando vamos em sua direção. E, a cada passo,
parece que vai para mais longe. Entretanto, não dá para virar as costas; há que
se encarar a miragem, ao mesmo tempo ilusória e real, fazendo deste
enfrentamento o caminho para nos tornarmos menos assombrados com nossa
assustadora incompetência coletiva. A arte é o espaço disponível para
ampliarmos o campo do possível.
Luiz Camillo Osorio
Curador
27 set 17 – 17 dez
17
35º Panorama da Arte
Brasileira: Brasil por multiplicação
Da adversidade seguimos vivendo. Em 1967, Hélio Oiticica escreveu um texto determinante para se pensar a arte e o Brasil. Intitulado “Esquema Geral da Nova Objetividade”, há nele um desenho panorâmico da cena artística àquela altura e dos desafios a serem enfrentados. Escrito em um momento politicamente tenso, com desalentadoras perspectivas de futuro, para dizer o mínimo, ele destaca seis características da arte brasileira: (1) vontade construtiva; (2) tendência para o objeto; (3) participação do espectador (corporal, tátil, semântica); (4) abordagem e tomada de posição em relação a problemas políticos, sociais e éticos; (5) tendência para proposições coletivas; (6) ressurgimento e novas formulações do conceito de antiarte.
Uma pergunta, ainda
atual, perpassava a escrita do Esquema Geral: como apostar em uma relação nova
entre singularidade local e inserção global. No caso da cultura brasileira – e
isso foi colocado de modo muito original pela geração tropicalista sob a influência
da Antropofagia – nossa singularidade foi sendo construída pela mistura de
diferentes matrizes culturais. Ou seja, não temos uma essência própria, uma
marca de origem a ser depurada de qualquer contaminação indesejada, vivemos da
apropriação constante do outro, somos uma colagem de influências que não para
de se transformar. Como escreveu Oiticica, estamos sempre “à procura de uma
caracterização cultural, no que nos diferenciamos do europeu com seu peso
cultural milenar e do americano do norte com suas solicitações
superprodutivas”.
As seis
características apontadas acima seguem valendo – não obstante as diferenças de
contexto – para se pensar a arte produzida hoje. Buscamos evidenciar isso neste
Panorama. Sem qualquer tematização daquelas tendências, elas perpassam
indiretamente os trabalhos aqui apresentados. A despeito da falência da ideia
de progresso e de uma avassaladora crise urbana e ambiental, ainda resiste uma
vontade construtiva entre nós. Uma construção que se sabe frágil, mas crucial
para enfrentar os riscos de uma informalidade desagregadora. Nota-se também uma
crescente abertura do fazer artístico para problemas sociais, éticos e
políticos, ou seja, para um engajamento, nada simplificador, que acredita nas
brechas em que a arte quer se infiltrar para tentar mudar as coisas –
sabendo-se que querer mudar não basta e que sua impotência pode ter
desdobramentos imprevistos.
Reunir em uma
exposição, que se pretende um Panorama da Arte Brasileira, desde a concretude
da intervenção arquitetônica até a fluidez da dança, passando pelo audiovisual,
pela escultura, pela fotografia e pela palavra, mais que explicitar a
diversidade da cena contemporânea, em que a divisão de meios expressivos e de
disciplinas parece obsoleta, busca ressaltar a multiplicidade de tempos que
compõem nosso momento histórico. O tempo do corpo que dança, da palavra escrita
e da imagem projetada respondem a formas de percepção e de experiência plurais.
Simultaneamente, é parte de nosso desafio articular os diferentes imaginários
que se contaminam e se multiplicam no Brasil entre a cidade e a floresta, as
comunidades periféricas e os centros cosmopolitas, entre o caos, a
indeterminação e o mito.
Misturar poéticas
conflitantes, trazer outras vozes e gestos para dentro das instituições que
constroem as narrativas hegemônicas, revelar antagonismos e diferenças, tudo
isso é parte de uma ideia de Panorama e de uma discussão sobre o Brasil. Isso,
no exato momento em que o Brasil vive uma de suas piores crises de identidade,
quando a promessa de futuro virou uma terrível distopia que constrange as
possibilidades do presente, parece propício colocar, mais uma vez, a pergunta
sobre o Brasil. O Problema-Brasil é um desafio e uma miragem: aparece como
promessa de alegria, mas escapa quando vamos em sua direção. E, a cada passo,
parece que vai para mais longe. Entretanto, não dá para virar as costas; há que
se encarar a miragem, ao mesmo tempo ilusória e real, fazendo deste
enfrentamento o caminho para nos tornarmos menos assombrados com nossa
assustadora incompetência coletiva. A arte é o espaço disponível para
ampliarmos o campo do possível.
Luiz Camillo Osorio
Curador
27 set 17 – 17 dez
17

Foto: Sidnei Lugouv – Exposição - 35º Panorama da Arte Brasileira - Brasil por multiplicação – MAM - 2017

Foto: Sidnei Lugouv – Exposição - 35º Panorama da Arte Brasileira - Brasil por multiplicação – MAM - 2017

Foto: Sidnei Lugouv – Exposição - 35º Panorama da Arte Brasileira - Brasil por multiplicação – MAM - 2017

Foto: Sidnei Lugouv – Exposição - 35º Panorama da Arte Brasileira - Brasil por multiplicação – MAM - 2017

Foto: Sidnei Lugouv – Exposição - 35º Panorama da Arte Brasileira - Brasil por multiplicação – MAM - 2017

Foto: Sidnei Lugouv – Exposição - 35º Panorama da Arte Brasileira - Brasil por multiplicação – MAM - 2017

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Pesquisa: Sidnei Luciano Gouveia
Fotos visitação (2017):
Sidnei Lugouv
Fonte: Museu
de Arte Moderna de São Paulo
📍
Endereço:
Avenida Pedro Álvares Cabral, s/n° – Parque do Ibirapuera – Vila Mariana, São
Paulo - SP, Brasil
📞
Contato:
+55 (11) 2085-1300
🔗
https://mam.org.br/

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