EXPOSIÇÃO: O impressionismo e o Brasil
O impressionismo e o Brasil
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| foto: divulgação |
O Museu de Arte Moderna de São Paulo, Traz a São Paulo a
Exposição: O Impressionismo e o Brasil.
O que foi o Impressionismo? Ele surgiu da pintura de paisagem ao
ar livre executada com velocidade e se valeu de inovações na produção
industrial de tinta a óleo durante o século XIX. Os pintores impressionistas
passaram a considerar seus quadros executados no calor da hora como obras
acabadas, deixando visível a tinta grossa aplicada com gestos rápidos. Assim,
nascia a arte construída a partir de materiais industriais de última geração
postos em primeiro plano.
Em 1869, os
colegas Renoir e Monet foram pintar juntos ao ar livre, levando consigo um
estoque de cores de tinta recém-lançadas no mercado ao longo das décadas
anteriores. Renoir era um virtuoso na pintura veloz: a nova gama de cores
disponíveis permitia produzir um efeito complexo em curto tempo; Monet,
pintando ao seu lado, usou quinze cores diferentes num único quadro, executado
em aproximadamente duas horas. Ambos passaram a praticar essa técnica,
despertando o interesse de seus colegas. As experiências levaram o grupo a
estender o procedimento surgido na pintura de paisagem a outros campos, como o
retrato e a natureza-morta. Mesmo quando as obras eram retrabalhadas em ateliê,
as pinceladas sempre pareciam ter sido feitas com a rapidez da pintura ao ar
livre.
O grupo de
colegas fez uma exposição coletiva independente em 1874, em Paris. O público e
a crítica começaram a chamar o resultado exposto de “impressões”, título de um
quadro de Monet e termo associado, na época, aos esboços amadores que os
turistas faziam das paisagens descobertas. A moda do esboço de paisagem
associado ao turismo foi um grande motor do mercado de materiais industriais
para pintura na Europa e nos Estados Unidos, incentivando pintores
profissionais a produzir paisagens ao ar livre também. Foi assim que o grupo
passou a ser chamado de “impressionista”, assumindo essa designação em 1877 por
insistência de Renoir.
A pintura de
paisagem ao ar livre passou a ser praticada no Brasil em 1884. Grimm foi o
responsável pelo início de seu ensino na Academia Imperial de Belas Artes do Rio
de Janeiro e, posteriormente, pela formação de uma escola de pintores
identificados com seus ensinamentos. Castagneto e Parreiras foram os principais
discípulos de Grimm. Na década de 1880 também quintuplicou o mercado de
materiais industriais de pintura no Rio de Janeiro, que passou de onze lojas de
tintas e objetos para pintores em 1882 para 52 lojas em 1889, com sortimento de
importados. As mesmas duas condições para o surgimento do Impressionismo na
França se repetiram no Brasil: a prática da pintura rápida ao ar livre e a
variedade de novas cores de tinta industrial. Além disso, a viagem de pintores
brasileiros à França com prêmios e bolsas governamentais durante o período da
consagração de artistas como Renoir e Monet trouxe de volta ao Brasil o reconhecimento
do Impressionismo: no final da década de 1890, Visconti já era chamado de
impressionista pela imprensa brasileira.
Reunimos aqui
obras de Renoir como artista exemplar do Impressionismo. Há retrato,
natureza-morta e estudo para mostrar como o Impressionismo nasceu da paisagem,
mas se estendeu aos demais gêneros. A pincelada rápida e o uso de uma ampla
gama de cores são marcas de Renoir.
Seguem-se os
pioneiros da pintura rápida ao ar livre no Brasil: Grimm, Castagneto e
Parreiras. Na sequência, as gerações de pintores brasileiros já conscientes do
Impressionismo francês. Reunimos aqui apenas paisagens, pois é o gênero
fundador do Impressionismo e permite identificar o interesse pelas paisagens
pitorescas brasileiras, sobretudo no Rio de Janeiro, até hoje destino de
turismo e objeto da produção de imagens amadoras com recursos industriais, como
celulares.
No extremo da
mostra, reunimos objetos que testemunham o comércio e o uso de materiais
industriais de pintura no Rio de Janeiro, entre 1844 e a década de 1930. Ao
longo da linha do tempo, mostramos a gama das novas cores industriais do século
19 da marca Lefranc, usada pelos impressionistas franceses. Começava, assim, a
arte industrial no Brasil.
O impressionismo no Brasil
A pintura
rápida de paisagem ao ar livre e o comércio da inovadora gama de cores
industriais foram condições do surgimento do Impressionismo na França na década
de 1870. Na década seguinte, as mesmas condições passaram a existir no Rio de
Janeiro. No fim do século XIX, a designação de impressionista aplicada a
pintores brasileiros já era usada pela imprensa local.
O pintor
Grimm implantou o ensino da pintura de paisagem ao ar livre no Rio de Janeiro
em 1884, na Academia de Belas Artes, contra a vontade dos acadêmicos. Dois anos
depois, seu contrato não foi renovado, e Grimm deixou a Academia, seguido por
sete discípulos fiéis que o acompanharam até a praia de Boa Viagem, em Niterói
— dentre eles, Castagneto e Parreiras, que desenvolveram a própria técnica de
pintura ao ar livre nos anos seguintes. Castagneto era especialmente rápido ao
pintar.
Nas décadas
de 1890 e 1900, Visconti, os irmãos Arthur e João Timóteo da Costa e o casal
Georgina e Lucílio de Albuquerque viajaram à França com prêmios e bolsas
governamentais, lá testemunhando a consagração do Impressionismo. De volta ao
Brasil, desenvolvem a pintura rápida de paisagem ao ar livre, já sabendo sobre
a técnica impressionista. Visconti, por exemplo, foi chamado de impressionista
em 1898 pela imprensa brasileira. Aqui praticaram o Impressionismo também
Antônio Garcia Bento, Mário Navarro da Costa e Henrique Cavalleiro.
Comércio de material de pintura no Rio de Janeiro
Na década de
1880, o mercado de materiais para pintores se multiplicou por cinco no Rio de
Janeiro, contemplando o comércio das novas cores industriais de tinta a óleo,
que permitiam uma nova complexidade para a pintura rápida ao ar livre.
Reunimos aqui
um mapeamento da expansão do comércio de tintas e materiais para pintura no Rio
de Janeiro entre 1844 e 1889. A cidade era então corte imperial, mantendo
permanente relação comercial com a Europa, o que possibilitava o suprimento de
novidades industriais, como as novas cores de tinta a óleo em tubo metálico.
Outra novidade eram os pincéis com anel metálico para fixar os pelos ao cabo: o
inovador pincel chato permitia aplicar tijolos de tinta espessa.
Os materiais
comercializados no Rio de Janeiro incluíam, ainda, itens específicos para
pintura ao ar livre, como caixas portáteis, bancos dobráveis e guarda-sóis.
O uso de material
industrial para pintura no Brasil é exemplificado pelo legado de Antônio
Parreiras, mantido pelo Museu com seu nome, em Niterói.
Felipe Chaimovich
Quando: 17/05/2017 à 27/0/2017
Onde: MAM SP - Museu de Arte Moderna de São Paulo – Grande Sala
Endereço: Av. Pedro Álvares Cabral, s/no –
Parque Ibirapuera (portões próximos: 2 e 3)
Horários: terça a domingo, das 10h às 17h30 (com permanência até as 18h)
T +55 11 5085-1300
atendimento@mam.org.br
Horários: terça a domingo, das 10h às 17h30 (com permanência até as 18h)
T +55 11 5085-1300
atendimento@mam.org.br
Quanto: R$ 6,00 – Entrada gratuita aos sábados

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