Inaugurada em São Paulo a Biblioteca Brasiliana
Inaugurada a Biblioteca Brasiliana Mindlin
24/03/2013 - (Agência Fapesp)
Um novo capítulo da história da biblioteca formada pelo casal
Guita e José Mindlin começou a ser escrito neste sábado (23/03/2013), com a
abertura para o público do edifício que agora abriga os mais de 32 mil títulos
da coleção brasiliana doados em 2006 pelo bibliófilo e empresário à
Universidade de São Paulo (USP).
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| Livros distribuídos por três andares do edifício da Biblioteca Mindlin, na USP - Luiz Carlos Murauskas/Folhapress |
Autoridades e cerca de 500
convidados haviam confirmado presença para o evento que marca a inauguração da
Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, em um edifício moderno de 20 mil
metros quadrados dentro da Cidade Universitária, em São Paulo, projetado pelos
arquitetos Eduardo de Almeida e Rodrigo Mindlin Loeb (neto do casal), com
assessoria da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP.
A partir
do dia 25 de março, o público poderá conferir a exposição permanente Não faço
nada sem alegria – lema do ex libris da biblioteca –, com painéis incluindo
imagens, textos e vídeos sobre a vida do casal, a formação da biblioteca, a
construção do edifício, a cultura, a materialidade e a conservação do livro, a
história da imprensa e o prazer da leitura.
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| Guita e José Mindlin, que doaram a coleção, em foto de 2000 - divulgação |
“A exposição de
longa duração foi pensada junto com a arquitetura do edifício; há, por exemplo,
imagens de Mindlin lendo trechos de poemas ou do Grande Sertão Veredas”, disse
Pedro Puntoni, diretor da biblioteca e coordenador do Projeto Brasiliana USP.
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| Volume à direita é ocupado pela Biblioteca Brasiliana USP - Luiz Carlos Murauskas/Folhapres |
Uma segunda exposição, de
curta duração, prevista para seguir até o dia 28 de junho, apresentará os cem
livros e documentos mais valiosos, importantes e significativos da Biblioteca
Mindlin, devidamente protegidos em vitrines de vidro e metal.
Obras
originais de autores como o viajante alemão Hans Staden (1525-1579), o pintor
francês Jean-Baptiste Debret (1768-1848), o empresário português Gabriel Soares
de Sousa (1540-1591) e os escritores brasileiros João Guimarães Rosa
(1908-1967) e Graciliano Ramos (1892-1953) integrarão essa mostra, que inclui
ainda 12 iPads, para que os visitantes folheiem virtualmente alguns dos livros
expostos – que também estão disponíveis, digitalizados, no site da biblioteca.
Digitalização do acervo
Parte da
biblioteca que é inaugurada agora – aproximadamente 3,5 mil títulos – está
disponível para download no site da instituição, que é um órgão da Pró-Reitoria
e Extensão da USP.
“Temos
mais títulos digitalizados, mas estamos colocando aos poucos [no site], porque
o maior trabalho não tem sido a digitalização e sim os metadados, a
catalogação, a preparação”, afirmou Puntoni, professor na Faculdade de
Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP.
O projeto
de digitalização da Brasiliana Mindlin, considerada a mais importante coleção
do gênero formada por um particular, contou no seu início com apoio da FAPESP,
que, segundo o diretor, foi importante para a montagem do laboratório de
digitalização e a criação do site.
“A
pesquisa apoiada pela FAPESP resultou também na definição de uma plataforma para
a digitalização de livros raros e documentos de acervos memoriais”, disse
Puntoni.
Várias
outras instituições culturais, como a Biblioteca Mário de Andrade, o Instituto
Moreira Salles, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional
(Iphan) e o Arquivo Público do Estado de São Paulo, também estão usando ou em
vias de usar esse produto desenvolvido com o apoio da FAPESP, a Plataforma
Corisco, que é ao mesmo tempo um software, uma política e um conjunto de regras
e procedimentos.
De acordo
com Puntoni, o projeto da Brasiliana digital obteve apoio da Petrobras e do
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). “O apoio da
FAPESP nos permitiu avançar com um projeto, consolidá-lo, e o BNDES veio e
bancou a continuidade dele”, afirmou. O projeto está organizado em um núcleo de
pesquisa coordenado por Puntoni e pelo professor Edson Gomi, da Engenharia da
Computação da Escola Politécnica da USP.
A
digitalização deve ser retomada agora com mais equipamentos e equipe maior, mas
o público já pode fazer o download, por exemplo, da obra completa de autores
como Joaquim Nabuco, Joaquim Manoel de Macedo, José de Alencar e Casimiro de
Abreu.
Abertura para pesquisa
Os
pesquisadores, no entanto, terão ainda de aguardar até o dia 2 de abril para
ter acesso aos livros físicos. A partir de então, a consulta poderá ser feita
mediante agendamento (regras no site), inicialmente em um horário reduzido, das
13h às 17h.
“Assim que
conseguirmos a contratação de mais bibliotecários, vamos atender também pela
manhã, de segunda a sexta”, afirmou Puntoni. Atualmente com 16 funcionários, a
biblioteca deverá chegar a 33. Mas ela conta ainda com o trabalho de
colaboradores, entre bolsistas, professores, alunos de pós e da graduação e
estagiários.
Os
pesquisadores são “antigos conhecidos” da Brasiliana Mindlin, que a consultavam
desde a época em que ela estava abrigada na casa de Guita e José Mindlin, no
Brooklin, zona sul de São Paulo. O próprio Puntoni passou a frequentá-la, como
pesquisador, quando preparava o seu mestrado sobre a escravidão africana no
Brasil Holandês e as guerras do tráfico no Atlântico Sul, no início da década
de 1990.
Estudiosos
das áreas de história da ciência, história do livro e da leitura, história do
Brasil e de humanidades, entre outros, deverão ter interesse especial em
investigar o acervo, formado ao longo de mais de 80 anos.
A biblioteca
já abriga diversos grupos de pesquisa e tem se destacado como um centro de
investigação na área das humanidades digitais, de estudiosos interessados em
explorar a produção, a organização e a difusão da informação no meio digital
(veja o site do grupo que é coordenado pela professora Maria Clara Paixão de
Souza:
http://humanidadesdigitais.org
O curioso
é que o acervo não parou de crescer com a morte de José Mindlin, em 2010.
Apesar de no documento de doação à USP assinado por ele constar 17 mil títulos,
descobriu-se depois, no processo de inclusão no sistema Dedalus de catalogação
da USP, que na verdade a coleção era formada por pelo menos 32 mil títulos,
correspondentes a cerca de 60 mil volumes.
“Muitos
não haviam sido catalogados por José e pelas pessoas que o ajudavam. Fizemos
uma assinatura de uma lista complementar de mais de 15 mil títulos”, afirmou
Puntoni. Além disso, as doações não pararam de acontecer e a biblioteca também
foi autorizada a ter uma verba para novas aquisições.
“Isso
mostra um lado importante, que é essa dimensão de que a biblioteca é viva; ela
não foi pensada para ser um memorial. Não é uma biblioteca morta, congelada.
Não é a coleção do José Mindlin. É a biblioteca que ele criou, que continua
viva, que vai continuar se expandindo”, afirmou Puntoni. “Queremos continuar
recebendo doações, sobretudo dos bibliófilos, de livros raros e importantes.”
Biblioteca de obras raras
Além do
bloco que está sendo inaugurado agora, o edifício da Brasiliana tem uma outra
parte que ainda está em obras. Esse segundo bloco, previsto para ficar pronto
em junho ou julho próximo, deverá abrigar o Instituto de Estudos Brasileiros
(IEB) e o departamento técnico do Sistema Integrado de Bibliotecas (SIBi) da
USP, responsável pelo gerenciamento das 70 bibliotecas da universidade e pela
Biblioteca de Obras Raras, que está em processo de criação.
“A
Biblioteca de Obras Raras foi pensada como um serviço para todas as bibliotecas
da USP”, afirmou Puntoni. “Nem todas têm condições de guarda, conservação e
segurança dessas obras.”
Assim, as
faculdades que quiserem poderão ter as obras mais raras de suas bibliotecas
guardadas de forma apropriada e digitalizadas. “Quem quiser trazer para cá terá
uma guarda permanente, com câmaras de segurança, ar condicionado e
profissionais capacitados.”
A
digitalização dos títulos dessa biblioteca também começou. Segundo o diretor,
já foram digitalizados quase 2,5 mil títulos de obras raras da USP. “Quando
lançarmos a biblioteca física, já teremos uma política e uma biblioteca
digital.”
A ideia é
ainda promover eventos, como seminários e conferências no auditório do
edifício, com capacidade para 300 pessoas, que também será inaugurado no sábado
e recebeu o nome István Jancsó, em homenagem ao primeiro diretor da Biblioteca
Mindlin, falecido em março de 2010, que concebeu todo o projeto da Brasiliana.
Além do
auditório, da Biblioteca Mindlin e das duas salas de exposições, o bloco que
será inaugurado agora tem uma terceira sala para exposições, uma livraria da
Edusp (já em funcionamento) e um espaço para cafeteria, ainda desativado.
Mais
informações, como as regras para agendamento de pesquisas e horários de
funcionamento, estão em: www.brasiliana.usp.br.
Viva a arte!
By Lugouv.







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