A ARTE DE CILDO MEIRELES
CILDO MEIRELES
| Cildo Meireles |
Cildo Meireles,
nasceu no Rio de Janeiro em 1948, onde reside e trabalha até hoje. É um artista
conceitual com uma reputação internacional, que cria os objetos e as
instalações que acoplam diretamente o visor em uma experiência sensorial
completa, questionando, entre outros temas, o regime militar brasileiro (1964 -
1984) e a dependência do país na economia global.
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| Cildo Meireles - Babel 2001 |
Cildo Meireles
tem desempenhado um papel chave dentro da produção artística nacional e
internacional. Situando-se na transição da arte brasileira entre a produção
neoconcretista do início dos anos 60 e a de sua própria geração, já
influenciada pelas propostas da arte conceitual, instalações e performances, as
obras de Cildo Meireles dialogam não só com as questões poéticas e sociais
específicas do Brasil, mas também com os problemas gerais da estética e do
objeto artístico.
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| Cildo Meireles - Desvio para o Vermelho |
Biografia
Nascido na cidade do Rio de Janeiro em 1948,
passa sua infância e adolescência entre Goiânia, Belém do Pará e Brasília.
Inicia seus estudos em arte em 1963, na Fundação Cultural do Distrito Federal, onde,
por influência do pintor peruano Félix Alejandro Barrenechea, começa então a
realizar desenhos inspirados em máscaras e esculturas africanas. Por volta de
1966, quando se preparava para ingressar no curso de arquitetura da UNB, é
convidado por Mário Cravo a expor seus desenhos no Museu de Arte Moderna da
Bahia (MAMB) em Salvador, motivo pelo qual não chegou a realizar os exames de
vestibular.
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| Cildo Meireles |
Em 1967, retorna ao Rio de
Janeiro, onde cursa por um breve período a Escola de Belas Artes e freqüenta o
ateliê de gravura do MAM. Nesta época, abandona temporariamente o desenho, e
dedica-se a uma produção de cunho mais conceitual, voltada à crítica dos meios,
dos suportes e das linguagens artísticas tradicionais, cria a série Espaços
Virtuais: Cantos, com 44 projetos, em que explora questões de espaço,
desenvolvidas ainda nos trabalhos Volumes Virtuais e Ocupações (ambos de
1968-1969). Em 1969, agora como professor do ateliê do MAM, funda ao lado de
Guilherme Vaz e Frederico Morais a unidade experimental do museu, da qual passa
a ser diretor.
Desta convivência com F.
Morais e Guilherme Vaz, nasceria também “Do corpo a Terra”, manifestação
realizada no Parque Municipal, nas ruas, nas serras e nos ribeirões da cidade
de Belo Horizonte, sob a coordenação de F. Morais, em 1970. Em 1973, passa a
criar cenários e figurinos para teatro e cinema e, em 1975, torna-se um dos
diretores da revista de arte Malasartes. Desenvolve séries de trabalhos
inspirados em papel moeda, como Zero Cruzeiro e Zero Centavo (ambos de
1974-1978) ou Zero Dólar (1978-1994). Em algumas obras, explora questões acerca
de unidades de medida do espaço ou do tempo, como em Pão de Metros (1983) ou
Fontes (1992). Cildo participa com “Totem – Monumento aos presos políticos”, na
qual evocava aos presos e desaparecidos políticos do regime militar.
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| Cildo Meireles |
Nestes anos de censura,
medo, e silêncio, que se seguiram à promulgação do AI-5, Cildo Meireles
destacou-se por uma série de propostas política e socialmente críticas, como
por exemplo, seu trabalho em carimbo em notas de um cruzeiro: “Quem matou
Herzog?”, de 1975. Uma mensagem explícita, ainda que anônima, de sua visão da
arte enquanto meio de democratização da informação e da sociedade. Motivo pelo
qual costumava gravar em seus trabalhos deste período a frase: “a reprodução
dessa peça é livre e aberta a toda e qualquer pessoa”, ressaltando a
problemática do direito privado, do mercado e da elitização da arte.
É também, neste mesmo
período, que o artista elabora seu projeto “Inserções em circuitos
ideológicos”, que consistia em gravar nas garrafas retornáveis de Coca-cola
informações, opiniões críticas, a fim de devolvê-las à circulação.
Cildo
examina a falibilidade da percepção humana, os processos de comunicação, as
condições do espectador, a relação da obra de arte com o mercado.
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| Cildo Meireles |
Uma de suas obras, chamada Cruzeiro
zero é uma réplica fiel de uma nota do cruzeiro (a moeda corrente naquele
tempo) que não tem nenhum valor e as figuras históricas e heróicas sejam
substituídas pela fotografia de um índiobrasileiro e de um paciente de um
hospital psiquiátrico. Há uma crítica, um comentário na superinflação e na
desvalorização do cruzeiro, este trabalho joga com noções tradicionais da
natureza e ‘ do valor ‘ da arte e da marginalização do Brasil no mundo
internacional da arte.
Já no final da década de 1970, passa a
explorar através de seus trabalhos, a capacidade sensorial do público
(gustativa, térmica, oral, sonora) como chave da fruição estética, e em
detrimento da predominância visual das artes plásticas. Emprega cada vez mais,
mas sempre em função de uma idéia, materiais precários, efêmeros, de uso
cotidiano e popular.
Particularmente na década de 80, Cildo
Meireles não aderiu a proposta de revitalização da pintura, como grande número
de artistas da geração 80 a fizeram. Ele seguiu com sua produção conceitual de
múltiplas linguagens e suportes empregados. Entretanto, perpassando décadas e
acumulando estilos e idéias, este artista – sendo um seguidor e fomentador da
contravenção Duchampiana de dessacralizar a arte – incorpora em seu repertório
um citacionismo irônico da tradição da arte que domina nos anos 80. Deste modo,
ele promove amplas possibilidades de expressão sobre a escultura desmobilizada
de preceitos formais.
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| Cildo Meireles |
Vale dizer, que a intensa produção de
Cildo Meireles, ainda em andamento, ampliou seu campo criativo ao inserir
instalação, objeto e tecnologia. Além disso, ele reafirmou seu compromisso com
o público e não com o mercado de arte. Seu trabalho simboliza o máximo grau
atingido pela relação aberta entre linguagem e interação.
Em 2008 ganhou o Premio Velázquez de
las Artes Plásticas, concedido pelo Ministerio de Cultura da Espanha, ainda em
2008, ganhou mostra na Tate Gallery em Londres.
Depoimento
“Sempre
que tentamos definir arte, confrontamos as divisões entre o que é e o que não é
considerado objeto de arte. Em tempos pré-clássicos, arte e religião eram
sinônimos. Na Grécia clássica, arte e arquitetura estavam igualmente ligadas.
Mais tarde foi criada uma distância entre o artístico e o arquitetônico. A arte
passou a ser vista como a documentação ou reprodução do real, e assim por
diante. O que me atraiu no neoconcretismo foi a possiblidade de pensar sobre
arte em termos que não se limitassem ao visual. (…)
Inserções
em Circuitos Ideológicos se concentrava em isolar e definir o conceito de
circuito, valendo-se de um sistema preexistente de circulação. Nesse sentido,
as frases nas garrafas de Coca-Cola e nas cédulas funcionavam como uma espécie
de graffitimóvel. Já Inserções em Circuitos Antropológicos consistia basicamente
na fabricação – e na posterior circulação – de uma série de objetos que
poderiam influenciar o comportamento político-social, como fichas para
telefone, transporte, etc. A obra se relacionava com o circuito pelo emprego de
aspectos que existiam como uma precondição do produto. (…)
Com
Tiradentes. . . eu estava interessado na metáfora e no deslocamento do tema.
Queria usar o tema, vida e morte, como a matéria-prima do trabalho. O
deslocamento é o que importa na história do objeto de arte. Mas esse trabalho
contém um discurso mais explícito, direto, que é meu próprio ponto de vista.
Como objeto formal, evoca memórias de auto-imolação, ou de vítimas de explosões
ou de bombardeios de napalm. Havia toda a imagística da guerra na época, e eu
queria fazer uma referência a isso, de modo que despertasse a atenção. A ação
foi realizada num cenário deslocado, parecido com uma abertura de exposição num
canteiro de obras.
Claro que jamais repetiria
um trabalho como Tiradentes. . . Ainda posso ouvir as pobres galinhas em minha
memória psicológica. Mas em 1970 senti que aquilo tinha de ser feito. (…)
Como
artista profissional, o que talvez seja uma contradição, vejo o mercado como um
horizonte importante. Meu trabalho sempre busca alguma espécie de comunhão com
essa indefinida, ampla entidade que se chama público. Ao mesmo tempo, tem um
aspecto completamente independente. A obra tem de ‘parar em pé’, no sentido de
que precisa ter completa autonomia. Se isso não ocorrer, a idéia do trabalho
desaparece. (…)
Em
grande parte da minha obra há uma interpenetração entre o trabalho de arte e a
vida diária, e isso afeta a escolha do material. Estou interessado em materiais
ambíguos, que podem simultaneamente ser símbolo e matéria-prima, assumindo
status de objetos paradigmáticos. Os materiais que podem conter essa
ambigüidade vão de fósforos a garrafas de Coca-Cola, de moedas a cédulas ou a
uma vassoura, como em La Bruja(1979-81). Estão no mundo cotidiano, próximos de
suas origens, ainda impregnados de significados. (…)
Muito
de minha obra se ocupa da discussão do espaço da vida humana, o que é tão amplo
e vago. O espaço, em suas várias manifestações, abrange arenas psicológicas,
sociais, políticas, físicas e históricas.
Não
importa realmente se ocorre ou não uma interação entre espaço utópico e espaço
real. Acho que há um aspecto quase alquímico: você também está sendo
transformado pelo que faz. Muitas dessas transformações se dão num nível
oculto, sutil. (…)
A
maior parte de minhas obras pode ser reconstruída; não têm de ser únicas. Essa
discussão era muito comum no Brasil no final dos anos 60. (…) Estávamos
preocupados com a questão de como estruturar a obra de modo que pudesse ser
refeita de maneira quase idêntica e escapar à aura do original”.
Cildo Meireles
Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Cildo_Meireles
Viva a Arte!
By Lugouv.






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