██ M A S P ██ ABRE A EXPOSIÇÃO COLETIVA INTERNACIONAL HISTÓRIAS LATINO-AMERICANAS
██ M A S P ██ abre a exposição coletiva internacional
Histórias latino-americanas

Antonio Caro, Colombia, 1980. Foto: Museo de Arte Moderno de Bogotá, cortesia Casas Riegner
O MASP — Museu de
Arte de São Paulo Assis Chateaubriand inaugura,
no dia 4 de setembro, a coletiva internacional Histórias
latino-americanas. Ocupando cinco galerias expositivas do Edifício Pietro
Maria Bardi, a exposição reúne 187 trabalhos de 148 artistas provenientes de 20
países. A mostra analisa como colonização, migração, movimentos de resistência
e projetos de nação contribuíram para a criação de diferentes narrativas sobre
a América Latina.
Com curadoria de Amanda Carneiro,
curadora, MASP, e Julieta González, curadora-adjunta, MASP, obras do
período pré-colonial ao contemporâneo dialogam a partir de problemas
compartilhados, como a colonização, o extrativismo, os projetos de progresso,
as formas de organização coletiva, as migrações, as diásporas e as aspirações
de futuro. Pinturas, documentos, mapas, esculturas, fotografias, instalações,
têxteis e vídeos revelam o uso de imaginários e símbolos para inventar,
governar e disputar a região ao longo do tempo.
“A América Latina está interligada por
múltiplos processos históricos, como a invasão colonial, o genocídio de
populações, a herança do colonialismo europeu, o imperialismo estadunidense.
Também se conecta por meio de formas coletivas de transformar a adversidade em
criação, pela produção e pelo consumo de telenovelas, por festividades massivas
e ritmos complexos que respondem a muitos intercâmbios. A região é uma zona de
conflito e criação. A exposição não pretende encerrar a discussão, nem oferecer
uma narrativa total sobre o continente. Ao contrário, seu gesto é abrir a
percepção sobre regimes visuais, temporalidades e questões”, diz Amanda
Carneiro.
A exposição está organizada em cinco
núcleos: O mundo ao revés, Retórica do progresso, Sociedades
americanas, Estamos em salsa e A queda do céu.
O mundo ao revés parte
do conceito andino pachakuti, que nomeia uma inversão radical da
ordem do mundo. Para inúmeros povos indígenas, a invasão europeia das Américas
produziu uma ruptura dessa natureza, alterando relações com o território, o
tempo e o conhecimento. O conjunto de obras reflete como a colonização inventou
um mito de paraíso tropical repleto de riquezas naturais que estaria à
disposição para ser explorado pela Europa, e a versão latino-americana do
Barroco.
Já Retórica do progresso examina
como projetos de urbanização e industrialização moldaram uma narrativa
latino-americana do século 20, revelando promessas e contradições. A cidade, a
fábrica, a rodovia, a arquitetura e o planejamento urbano despontam como uma
vitrine de uma modernidade anunciada, mas também como instrumentos de controle,
desigualdade e devastação ambiental. A expografia permite que uma das janelas
do Edifício Pietro Maria Bardi revele a vista da Avenida Paulista,
estabelecendo um diálogo entre a capital paulista e a exposição. Nesse núcleo,
a obra comissionada Nuremberg Map of Tenochtitlan, da artista
mexicana Mariana Castillo Deball, ocupa parte do piso do espaço expositivo. A
instalação reproduz em grande escala um dos primeiros mapas europeus feitos de
Tenochtitlan — então capital do Império Asteca e atual Cidade do México. Deball
evidencia como a cartografia colaborou para classificar, administrar e dominar
o território indígena. A mostra apresenta ainda outras obras comissionadas de
JAMAC (Jardim Miriam Arte Clube), Marcela Cantuária, Marcelo Cidade, Manuel
Chavajay, Maurício Lupini e Podeserdesligado.
Em Sociedades americanas, a
exposição olha para formas de organização comunitárias, como quilombos,
cooperativas, movimentos camponeses e pedagogias populares, que pensam a
construção de alternativas concretas às promessas não cumpridas do
desenvolvimento.
Estamos em salsa faz
referência à canção homônima lançada em 1978 pelo músico nova-iorquino de
origem porto-riquenha Wayne Gorbea. Formada por matrizes afro-caribenhas, o
estilo musical surge do encontro entre migrantes, gravadoras, bailes e
comunidades latinas, consolidando-se em Nova York. Obras como Inserções
em circuitos ideológicos: Projeto Coca-Cola (1970), de
Cildo Meireles, e Colombia (1980), de Antonio Caro, abordam as
relações entre dependência econômica e repertório cultural por meio de produtos
como Coca-Cola, petróleo, banana, dendê, milho e taco. Meireles grava mensagens
políticas sobre garrafas retornáveis e as devolve às prateleiras, infiltrando
sua crítica na logística do varejo. Caro, por sua vez, subverte a logomarca do
refrigerante, forçando a identidade de seu país a se moldar aos signos de uma
mercadoria global.
O último núcleo, A queda do céu, é
nomeado em referência ao livro escrito por Davi Kopenawa e Bruce Albert. No
livro, publicado em 2010, os autores revelam como a destruição da floresta
amazônica pela invasão garimpeira desencadeia uma catástrofe que ultrapassa a
noção de crise ambiental e nomeia o colapso concreto das relações que mantêm a
vida de pé. O núcleo articula o sonho e o mito, compreendidos como formas de
conhecimento alternativas às utopias de progresso. A coexistência e a
sobreposição de territórios e linhas do tempo também orientaram a expografia da
mostra. O público pode seguir a sequência proposta para percorrer a exposição
ou pode estabelecer seus próprios caminhos, criando associações e leituras
diversas. A pintura Metaesquemas (1956‒1958), de Hélio
Oiticica, foi uma referência para painéis, blocos de cores e cortes diagonais
que evitam uma separação rígida entre as seções, favorecendo a continuidade e o
diálogo entre diferentes trabalhos.
Histórias latino-americanas é
o tema do ciclo curatorial de 2026. A programação do ano também inclui as
mostras de Jesús Soto, Pablo Delano, Rosa Elena Curruchich, Manuel Herreros e
Mateo Manaure, Carolina Caycedo, Sol Calero, Damián Ortega, Colectivo Acciones
de Arte, Claudia Alarcón & Silät, La Chola Poblete, Santiago Yahuarcani e
Sandra Gamarra Heshiki.
A mostra faz parte de uma série de projetos em
torno da noção plural de “Histórias”, palavra que engloba ficção e não ficção,
relatos pessoais e políticos, narrativas privadas e públicas, possuindo um
caráter especulativo, plural e polifônico. Essas histórias têm uma qualidade
processual aberta, em oposição ao caráter mais monolítico e definitivo das
narrativas históricas tradicionais. Nesse sentido, entre os programas anuais e
as exposições anteriores, o MASP organizou Histórias da Sexualidade (2017), Histórias
Afro-Atlânticas (2018), Histórias das Mulheres, Histórias
Feministas (2019), Histórias da Dança (2020), Histórias
Brasileiras (2021–22), Histórias Indígenas (2023), Histórias
LGBTQIA+ (2024) e Histórias da Ecologia (2025).
4.9.2026 — 31.1.2027
Edifício Pietro Maria Bardi, 2º ao 6º andar
MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis
Chateaubriand
Avenida Paulista, 1578 – Bela Vista, São Paulo, SP 01310-200
Telefone: (11) 3149-5959
Horários: terças grátis, das 10h às 20h (entrada até as 19h) com patrocínio
Nubank; quarta e quinta das 10h às 18h (entrada até as 17h); sexta das 10h às
21h (entrada gratuita das 18h às 20h30 com patrocínio B3); sábado e domingo,
das 10h às 18h (entrada até as 17h); fechado às segundas.
Agendamento on-line obrigatório pelo link masp.org.br/ingressos
Ingressos: R$ 85 (entrada); R$ 42 (meia-entrada)
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