EXPOSIÇÕES EM CARTAZ - MAIO 2026 - MASP

 EXPOSIÇÕES:  █ MASP 


Acervo em Transformação Desde 11.12.2015 no

 MASP


Foto divulgação: MASP


A exposição: Acervo em transformação de longa duração da coleção do MASP. Traz obras instaladas em cavaletes de cristal, placas de vidro encaixadas em blocos de concreto que ficam dispostos em fileiras sem divisórias na sala ampla do segundo andar do museu.

O espaço aberto, fluido e permeável da galeria oferece múltiplas possibilidades de acesso e de leitura, eliminando hierarquias e roteiros predeterminados. Retirar as telas das paredes e colocá-las nos cavaletes possibilita ao visitante caminhar entre elas, como em uma floresta de obras que parecem estar suspensas no ar.

Os cavaletes de cristal, desenhados por Lina Bo Bardi (1914-1992), autora também do projeto do edifício do MASP, foram introduzidos em 1968, na inauguração da sede do museu na avenida Paulista. Substituídos em 1996 pela divisão da sala por paredes, esses dispositivos foram trazidos de volta em 2015. Desde então, a mostra permanece em constante modificação, como indica seu título, com entrada e saída de trabalhos em razão de empréstimos, novas aquisições e rotatividade. As legendas das obras são posicionadas no verso dos cavaletes, pois a proposta original de Lina Bo Bardi era de que o primeiro encontro do visitante com os trabalhos fosse direto, livre de contextualizações e de informações de autoria, título e data.

Hoje, os trabalhos encontram-se organizados cronologicamente, com os mais recentes nas primeiras fileiras e os mais antigos nas últimas. Entretanto, a cronologia rígida é por vezes quebrada com artistas contemporâneos, a exemplo das inserções de obras de Carla Zaccagnini, Sofia Borges, Dora Longo Bahia e Waltercio Caldas, que permitem fricções entre diferentes períodos históricos, ou, ainda, para articular diálogos temáticos, como na fileira dedicada a paisagens. 

Um dos principais critérios de aquisição no MASP enfoca trabalhos que participaram de exposições no museu; por isso, há uma forte presença de obras que estiveram em mostras realizadas durante os ciclos Histórias afro-atlânticas, em 2018, Histórias das mulheres, histórias feministas, em 2019, e Histórias brasileiras, em 2021-22. Nesse contexto, a primeira fileira é inteiramente dedicada a trabalhos de artistas negros, enquanto a segunda, a de artistas mulheres, o que promove a missão do MASP como um museu diverso, inclusivo e plural. O icônico cartaz das Guerrilla Girls, feito em 2017 e aqui exposto, critica a pouca presença de mulheres que havia na mostra do acervo — percentual que era de 6% e que atualmente passa de 20%. Ainda há muito trabalho a ser feito.

Foto: Sidnei Lugouv

Foto: Sidnei Lugouv


EXPOSIÇÃO: Sandra Gamarra Heshiki: réplica 6.3

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Foto: Divulgação - MASP


Esta é a primeira exposição panorâmica sobre a obra de Sandra Gamarra Heshiki (Lima, 1972), artista central na arte contemporânea latino-americana e internacional. Gamarra iniciou sua carreira em meados dos anos 1990, trabalhando com pintura e instalações. Em 2002, criou o LiMac, Museo de Arte Contemporáneo de Lima, uma espécie de museu imaginário ou fictício, o que constitui uma virada conceitual importante em sua trajetória.

O LiMac apontava para a carência de museus e acervos públicos de arte no Peru, por meio da produção de cópias de trabalhos de artistas contemporâneos feitos pela própria Gamarra a partir de livros e revistas que chegavam ao país. Naquele mesmo ano, Gamarra mudou-se para Madrid, Espanha, onde começou a desenvolver outro aspecto fundamental de sua obra: uma crítica à violência por trás de tantas obras de arte do período colonial, assim como ao modo como os museus mostram e classificam suas coleções.

A apropriação, a cópia e a intervenção sobre trabalhos de diferentes períodos da história da arte são fundamentais na obra da artista, daí o título deste projeto: Réplica. A mostra inclui 72 obras produzidas desde 2003 e é organizada com uma alusão à cronologia convencional dos museus de arte latino americanos, dividida em seis núcleos: “pré-colonial” (“inka” e “pré-inka”), “colonial”, “pós-independência”, “moderno”, “contemporâneo” e LiMac.

Na última sala, Gamarra propõe um grande conjunto de pinturas sobre papel, com réplicas de todas as páginas com reproduções de obras nesta mostra em seu catálogo, além de disponibilizar ao público fotocópias dessas peças. Com esse gesto, a artista recupera o procedimento da cópia que a acompanha há 25 anos, agora voltado para sua trajetória mostrada nesta primeira exposição retrospectiva, uma espécie de resposta, ou réplica, à sua própria obra.

Sandra Gamarra Heshiki: réplica tem curadoria de Adriano Pedrosa, diretor artístico, MASP; Florencia Portocarrero, curadora convidada, MALI; Guilherme Giufrida, curador assistente, MASP; e Sharon Lerner, diretora, MALI. A apresentação no MASP é curada por Giufrida e Pedrosa.



EXPOSIÇÃO: Damián Ortega: matéria e energia

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Foto Divulgação - MASP


A exposição apresenta mais de três décadas de trabalho do artista Damián Ortega (Cidade do México, 1967), um dos principais expoentes de sua geração. Transitando entre fotografia, vídeo, escultura e instalação, Ortega convida o público a reexaminar materiais e objetos cotidianos para investigar narrativas sociais, econômicas e políticas. Em sua icônica prática escultórica, ele desmonta objetos, como carros, reorganizando suas partes e exibindo-as em novas configurações. O mesmo pensamento de rearranjo aparece em obras em que dispõe ferramentas, pedras ou tijolos em montagens suspensas. A reorganização desses objetos na forma de diagramas espaciais é frequentemente carregada de humor e comentários políticos e sociais. A exposição destaca obras importantes de sua trajetória e um conjunto de trabalhos que investigam aspectos da arquitetura brasileira. A mostra marca a primeira individual de Ortega em um museu de São Paulo.

Edifício Lina Bo Bardi
Curadoria: Adriano Pedrosa, diretor artístico, MASP; Rodrigo Moura, curador independente, MALBA; e Yudi Rafael, curador assistente, MASP, com assistência de Isabela Ferreira Loures, assistente curatorial, MASP.


EXPOSIÇÃO: Acervo em Transformação: Doações Recentes

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Foto Divulgação: MASP


Esta mostra reúne 26 obras incorporadas desde 2020 à coleção do MASP, e expressa o trabalho contínuo do museu para desenvolver seu acervo, sobretudo mediante a incorporação de obras que tenham participado de exposições na instituição.

As doações são frequentemente solicitadas ou negociadas junto a conselheiros, patronos, colecionadores e apoiadores do museu, bem como a artistas e galeristas. São raras as doações que de fato têm surgido espontaneamente. O processo pode levar vários meses e inclui a avaliação, por parte da curadoria, da pertinência da obra para o acervo e da sua relevância no contexto da produção do artista, da história do museu e da história da arte, bem como a análise do estado de conservação e da documentação da obra, a apresentação e recomendação dela ao Comitê Cultural, e, por fim, a aprovação pela diretoria.

Um critério bastante produtivo que tem sido privilegiado é se a obra participou de alguma exposição no MASP. Desse modo, com as doações, a programação de exposições temporárias deixa uma marca mais perene no próprio acervo do museu — algo que pode ser percebido na mostra Acervo em transformação na galeria do segundo andar.

Expressamos nossa gratidão aos artistas que doaram suas obras para o acervo do MASP e que estão em exibição nesta mostra: Adriana Varejão, Anna Bella Geiger, Bruno Baptistelli, Emanuel Nassar, José Patrício, Judy Chicago, Mateo López, Rochelle Costi, Sandra Cinto, Sérgio Sister, Sergej Jensen, Valdirlei Dias Nunes e Vik Muniz. Muito obrigado também aos colecionadores que doaram trabalhos para o museu: Ana Dale, Carlos Dale Júnior e Antonio Almeida, Bruno Baptistella, Conrado e Ronie Mesquita, Gustavo Rebello, Luiz Sève, Max Perlingeiro, Paulo Kuczynski, Samuel Lacerda e Teresa Bracher. Agradecemos ainda às galerias em São Paulo que nos ajudaram com algumas dessas doações: Almeida & Dale Galeria de Arte, Casa Triângulo, Galeria Fortes d’Aloia Gabriel, Galeria Luisa Strina, Galeira Nara Roesler e Galeria Millan.

Acervo em transformação: doações recentes é curada por Adriano Pedrosa, diretor artístico, MASP; Amanda Carneiro, curadora assistente, MASP; Matheus de Andrade, assistente curatorial, MASP.



Sala de Vídeo: Oscar Muñoz 2.4

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Foto Divulgação: MASP


Oscar Muñoz (Popayán, Colômbia, 1951) utiliza o vídeo para registrar a finitude de imagens que tentam — e falham — se inscrever na matéria, estabelecendo uma tensão entre a permanência e o apagamento. O artista expande o campo da gravura ao abolir fronteiras entre as artes gráficas e o uso de meios transitórios, como a água e o pó de carvão. Ao substituir o papel por superfícies instáveis e pelo próprio corpo, Muñoz impede a fixação definitiva do registro. Nos três vídeos aqui apresentados, a água atua como substância ambivalente: é suporte vital e, simultaneamente, meio de dissolução de figuras fantasmagóricas, desafiando a perenidade da memória.

Em Narciso (2001), Muñoz confronta o desejo humano de congelar a própria imagem para vencer a passagem do tempo — tema central do mito de Narciso. O artista utiliza um processo técnico singular: uma serigrafia em pó de carvão é impressa sobre a superfície da água. Ao abrir o ralo da pia, o fluxo arrasta o desenho do rosto, revelando a identidade como algo que se desfaz justamente no instante em que se tenta retê-la.

De modo semelhante, em Re/trato (2004), o gesto incessante de pintar fisionomias com água sobre o cimento quente confronta o desaparecimento sistemático de corpos na história colombiana, marcada por décadas de conflitos. O título alude tanto ao retrato quanto ao esforço de “tentar de novo” (re-trato), em um ciclo de resistência contra o esquecimento. Antes que o contorno de um rosto se finalize, o sol o evapora, exigindo do artista uma repetição incansável, que demarca resistência ao esquecimento.

Já em Línea del destino (2006), a relação entre imagem e suporte torna-se radicalmente corporal. Com uma câmera posicionada junto ao próprio ouvido, Muñoz observa o reflexo do seu rosto em um espelho d’água contido na palma da mão. O retrato — um rastro de luz que depende do líquido para se manifestar — deforma-se conforme a água escoa entre os dedos. Aqui, a mão metaforiza a responsabilidade de acolher ou deixar esvair a memória de alguém.

Embora enraizada no trauma colombiano, a obra de Muñoz ressoa em um presente saturado pelo fluxo de informações visuais. Na era digital, que dissolve as fronteiras entre o real e o simulacro, sua obra relembra que a imagem é sempre uma construção frágil e em disputa diante daquilo que se preserva e o que escorre pelo ralo da história.

Sala de vídeo: Oscar Muñoz é curada por Matheus de Andrade, assistente curatorial, MASP.

A exposição integra o ano dedicado às Histórias latinoamericanas, que também inclui mostras individuais de Carolina Caycedo, Claudia Alarcón & Silät, Coletivo Acciones de Arte, Damián Ortega, Jesús Soto, La Chola Poblete, Manuel Herreros de Lemos e Mateo Manaure Arilla,  Pablo Delano, Rosa Elena Curruchich, Sandra Gamarra Heshiki, Santiago Yahuarcani e Sol Calero, além da coletiva Histórias latinoamericanas, bem como mostras na Sala de vídeo de Clara Ianni, Claudia Martínez Garay, Edgar Calel e Regina José Galindo.


EXPOSIÇÃO: Santiago Yahuarcani: o princípio do conhecimento 

MASP


Foto Divulgação: MASP

Edifício Pietro Maria Bardi
Curadoria: Amanda Carneiro, curadora, MASP

A mostra dedicada a Santiago Yahuarcani (Pebas, Peru, 1960) reúne cerca de 30 pinturas, incluindo obras inéditas, e dá continuidade à projeção internacional do artista após sua participação na 60ª Bienal de Veneza (2024), onde seu trabalho chamou a atenção do público e da crítica. A obra do artista indígena do povo Uitoto, radicado na Amazônia peruana, está profundamente enraizada nas tradições orais, na cosmologia e na cultura visual de sua comunidade, articulando memória familiar, história e imaginação. Por meio da pintura, Yahuarcani desenvolve uma prática que combina investigação artística e retomada de narrativas. A história de deslocamento, violência e sobrevivência de sua família, descendente de sobreviventes da exploração do ciclo da borracha, é um fio condutor central em sua obra. O uso de pigmentos naturais e da llanchama — tela feita da casca de árvores amazônicas — reforça a relação com a terra. A mostra é organizada em parceria com o Museo Universitario del Chopo (Cidade do México) e The Whitworth (Manchester).



EXPOSIÇÃO: Colectivo Acciones de Arte: democracia radical

MASP

Foto Divulgação: MASP

O Colectivo Acciones de Arte (CADA) é uma referência fundamental para as práticas artísticas e políticas latino-americanas no final do século 20. Formado em Santiago, o CADA realizou, entre 1979 e 1985, oito ações no espaço público e em meios de comunicação, confrontando a violência, a fome e a repressão no Chile daquele período. Suas intervenções buscavam ampliar a participação social e reimaginar a cidade como um território a ser ocupado, afirmando a arte como meio de experimentação democrática radical.

Composto pelos artistas visuais Lotty Rosenfeld (1943–2020) e Juan Castillo (1952–2025), pela escritora Diamela Eltit, pelo poeta Raúl Zurita e pelo sociólogo Fernando Balcells, o coletivo surgiu seis anos após o golpe militar no Chile que, em 1973, derrubou o governo de Salvador Allende (1908–1973) e instaurou a ditadura de Augusto Pinochet (1915–2006), umas das mais violentas na América Latina.

As intervenções do CADA incluíram a distribuição gratuita de leite em uma região carente de Santiago, o lançamento de panfletos de aviões que sobrevoaram a cidade, inserções poéticas em revistas e ações de grande alcance, como é o caso de NO+ [Não mais]. Concebida para marcar os dez anos do golpe militar em 1983, NO+ é um enunciado aberto que até hoje é utilizado por cidadãos e movimentos sociais para expressar suas demandas: NO+ violencia, NO+ dictadura, NO+ tortura, entre muitos outros. 

Esta é a primeira mostra panorâmica sobre o CADA, reunindo 177 fotografias, desenhos, vídeos e documentos de seu arquivo. A mostra propõe uma reflexão sobre o papel transformador da arte em contextos ditatoriais e sua capacidade de mobilizar a solidariedade e a imaginação coletivas.

Colectivo Acciones de Arte: democracia radical tem curadoria de André Mesquita, curador, MASP.

A exposição integra o ano dedicado às Histórias latino-americanas, que também inclui mostras individuais de Carolina Caycedo, Claudia Alarcón & Silät, Damián Ortega, Jesús Soto, La Chola Poblete, Manuel Herreros e Mateo Manaure, Pablo Delano, Rosa Elena Curruchich, Sandra Gamarra Heshiki, Santiago Yahuarcani e Sol Calero, além da coletiva Histórias latino-americanas e mostras na Sala de Vídeo de Clara Ianni, Claudia Martínez Garay, Edgar Calel, Oscar Muñoz e Regina José Galindo.


EXPOSIÇÃO: Claudia Alarcón & Silät: viver tecendo 

MASP


Foto Divulgação: MASP


A força ancestral do ato de tecer está no centro da obra de Claudia Alarcón & Silät, coletivo de tecedeiras do povo Wichí. Formado em 2023, o grupo é hoje composto por mais de cem mulheres que vivem nas comunidades de La Puntana e Alto La Sierra, no norte da província de Salta, na Argentina. Suas obras são produzidas com fios de chaguar, uma bromélia nativa da região caracterizada por suas fibras resilientes.

O Silät articulou-se a partir de oficinas que propunham pensar novos formatos para as bolsas yicas, um objeto central para a cultura wichí. As yicas apresentam motivos geométricos que remetem a animais e plantas da região. Embora seja o ponto de partida do trabalho de Alarcón & Silät, suas obras transcendem esse repertório tradicional. Sob a liderança de Alarcón, o coletivo desenvolveu técnicas para que os tecidos fossem trabalhados por mais de uma tecedeira simultaneamente, enfatizando a noção de construção e autoria coletiva. De maneira poética, combinam em uma mesma obra diferentes padronagens e referências ao universo das artistas, sua mitologia e território: o outono e o inverno, o fio da noite, o andar dos ventos, os caminhos inventados, as mulheres estrelas, as memórias e as cicatrizes, o que se escuta no monte. Desse modo, um trabalho aparentemente abstrato e geométrico ganha conotações profundamente complexas e cheias de vida.

Viver tecendo — subtítulo da exposição no MASP — sublinha o entendimento de tecer como um ato contínuo, uma prática que atravessa gerações, integrada ao movimento da vida. Preservar essa prática é, em si, um gesto de coragem. Reinventá-la, um ato de ousadia.

Claudia Alarcón & Silät: viver tecendo é curada por Adriano Pedrosa, diretor artístico, e Laura Cosendey, curadora assistente, MASP.

A exposição integra o ano dedicado às Histórias latino-americanas, que inclui mostras monográficas de Carolina Caycedo, Colectivo Acciones de Arte, Damián Ortega, Jesús Soto, La Chola Poblete, Manuel Herreros de Lemos e Mateo Manaure Arilla, Pablo Delano, Rosa Elena Curruchich, Sandra Gamarra Heshiki, Santiago Yahuarcani, Sol Calero, além da coletiva Histórias latino-americanas, bem como mostras na Sala de Vídeo de Clara Ianni, Claudia Martínez Garay, Edgar Calel, Oscar Muñoz e Regina José Galindo.


EXPOSIÇÃO: La Chola Poblete: Pop andino 

MASP

Foto Divulgação: MASP


La Chola Poblete (Guaymallén, Argentina, 1989) inicialmente adotou o nome Chola como um alter ego para performances e, depois, como sua identidade. O termo chola se refere a mulheres de ascendência indígena e surgiu como uma injúria racial no Peru e na Bolívia, de onde vêm os antepassados da artista. Poblete parte dessa narrativa para desconstruir estereótipos produzidos sobre sua comunidade e história, trabalhando com pintura, escultura, desenho, fotografia, vídeo e performance. Suas obras frequentemente apropriam-se dos trabalhos de outros artistas, misturando padronagens e personagens que, por vezes, são reproduzidos também sobre as paredes da exposição, como ocorre aqui. 

Seus desenhos funcionam como mapas mentais que articulam uma ampla gama de referências e técnicas sobre o papel. Suas esculturas feitas com pão têm forte apelo sensorial e evocam as dimensões simbólicas e econômicas desse alimento. Suas fotografias sugerem ficções que colocam a artista como uma cantora pop ou como uma figura mitológica.

La Chola Poblete: pop andino é a primeira exposição individual da artista no Brasil. O título vem de um manifesto em que ela critica as expectativas do sistema da arte em relação a corpos trans racializados. A mostra reúne 31 obras, incluindo 14 aquarelas da icônica série Vírgenes cholas, exposta na Biennale di Venezia em 2024. Sua produção reflete sobre a história argentina, abordando questões como a política, a herança cristã e as formas indígenas de resistência à colonização. Os trabalhos discutem a representação de pessoas racializadas e LGBTQIA+, ao mesmo tempo em que a diversidade de temas e a fluidez das formas elaboradas pela artista afirmam seu desejo de liberdade para esses grupos. 

La Chola Poblete: pop andino é curada por Adriano Pedrosa, diretor artístico, e Leandro Muniz, curador assistente, MASP. 

A exposição integra o ano dedicado às Histórias latino-americanas, que inclui mostras monográficas de Carolina Caycedo, Claudia Alarcón & Silät, Colectivo Acciones de Arte (CADA), Damián Ortega, Jesús Soto, Manuel Herreros de Lemos e Mateo Manaure Arilla, Pablo Delano, Rosa Elena Curruchich, Sandra Gamarra Heshiki, Santiago Yahuarcani e Sol Calero, além da mostra coletiva Histórias latino-americanas, bem como mostras na Sala de Vídeo de Clara Ianni, Claudia Martínez Garay, Edgar Calel, Oscar Muñoz e Regina José Galindo.


Pesquisa: Sidnei Luciano Gouveia
Fotos divulgação (maio/2026): MASP
Fonte: MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand
📍 Endereço: Avenida Paulista, 1500 – Bela Vista, São Paulo - SP, Brasil
📞 Contato: +55 (11) 3149-5959
🔗 www.masp.com.br

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