EXPOSIÇÃO: BEIJO DE LÍNGUA
EXPOSIÇÃO: Beijo
de Língua, individual do artista Nelson Felix
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Jano, 2023-2024 (Série Desenhos índice) bastão de óleo, grafite, impressão fotográfica sobre papel |
O
MAC USP apresenta, a partir de 30 de maio, a exposição Beijo de Língua,
individual do artista Nelson Felix (Rio de janeiro, 1954), trazendo
dezenas de obras, entre esculturas (algumas de grande porte), desenhos,
fotografias e um vídeo. A curadoria é de Fernanda Pitta, docente do MAC USP. A
ideia da exposição nasceu em 1978, quando Nelson Felix, visitando a região
andina, percebeu uma coincidência entre as línguas Aimara (falada na região) e
o Aramaico (da tradição semítica, do oriente médio): escritas em espanhol elas
se tornam palíndromos (Aemara e Aramea). Felix passou a carregar esse
pensamento por décadas, até encontrar em Beijo de Língua, a forma para
materializá-la como uma das maiores exposições já realizadas pelo
artista. "É uma exposição de esculturas, principalmente", diz
Nelson.
No núcleo central da
mostra, Felix apresenta três esculturas criadas a partir de chapas de
mármore. Escultura para Homero, Escultura para Santa
Teresa e Escultura para Bertrand articulam três
campos centrais em seu trabalho: sacrifício, tolerância e amor. O
artista escolheu textos de três autores – Bertrand Russel, Homero e Santa
Teresa D’Ávila, e alguns trechos são escritos nas línguas Aimara e Aramaico nas
chapas de mármore, criando uma superfície rendada na pedra. Beijo de
Língua tem três esculturas, formadas por duas chapas de mármore cada
uma. As duas chapas, coladas, têm o mesmo texto, em duas versões: de um lado em
Aimara e do outro, em Aramaico.
- Colo
estas duas chapas com os textos, aliás, é a primeira vez que uso cola em meu
trabalho. Aqui a cola é material tão importante como o próprio mármore, ou o
bronze ou mesmo os elementos vegetais que uso. Assim, nos caracteres, surgem
vazamentos mútuos, as línguas se tocam, é para
mim, um beijo - afirma
o artista.
“As
superfícies se tocam, mas mantêm intervalos onde os idiomas não coincidem. A
cola evidencia a operação que sustenta a união sem eliminar a diferença. O
texto passa a atuar como matéria, inscrita e articulada na estrutura da obra”,
observa a curadora Fernanda Pitta.
Já Carta de amor,
trabalho apresentado em 2022 em forma contínua, como um projeto, agora ganha
duas novas versões, escultóricas: Pétala e Caule. As obras apresentam diversos
materiais: mármore, bronze, ferro, cabo de aço, cacto e fio de seda. As séries
de desenhos revelam diferentes facetas do trabalho de Felix, com referências de
obras anteriores, e estudos do trabalho atual. Na série 7 noites vazias
e 21 dias como 21 anos (2024) podemos ver um mesmo gesto, feito com
bastão de óleo, que nunca é igual a si mesmo. A obra gráfica Tartaruga
de Homero (2024), série com três trabalhos, traz referências do verso
de Homero (Hino Homérico a Hermes), em que Hermes mata uma tartaruga e
cria a primeira cítara. Para Felix, na criação deste instrumento, acontece o
nascimento da música.
Para
a curadora da exposição, “a partir do movimento de retomada e rearticulação
contínua de ideias, materiais e procedimentos, as obras de Nelson Felix deixam
de operar de forma isolada e passam a constituir um conjunto de relações,
formando um conjunto aberto, em que as obras se relacionam por aproximações e
distâncias, entre línguas e sistemas de pensamento, como o Aramaico e o Aimara,
eixo central da exposição.”
Pesquisa: Sidnei Luciano Gouveia
Foto Divulgação (maio/2026): MAC USP
Fonte: Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São
Paulo – MAC USP
📍
Endereço: Av. Pedro Álvares Cabral,1301, Vila Mariana - São
Paulo - SP, Brasil
📞
Contato: +55 (11) 2648-0254
🔗
http://www.mac.usp.br/mac/

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