EXPOSIÇÃO: O (TEMPO), DE WALTERCIO CALDAS
EXPOSIÇÃO:
o (tempo), de Waltercio Caldas
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| FOTO DIVULGAÇÃO - INSTITUTO CASA ROBERTO MARINHO wALTERCIO cALDAS - eSPELHO PARA VELÁZQUEZ,2000 |
A
exposição “o (tempo)” coincide com os 80 anos do artista. Não se trata,
contudo, de uma retrospectiva celebratória nem de um alinhamento cronológico de
sua produção: aqui o tempo é fluido e as 108 obras, concebidas em diversos
momentos de sua trajetória, estão distribuídas, por afinidades visuais, em
todos os espaços da Casa.
Propicia-se
ao espectador navegar através dessa universal, inconsútil e irrevogável medida
temporal. Não apenas o tempo presente, mas aquele referido por T.S. Elliot em
"Burnt Norton":
O tempo presente e o tempo passado
Estão ambos talvez presentes no tempo futuro
E o tempo futuro contido no tempo passado
Se todo tempo é eternamente presente
Todo tempo é irreversível.
Em 1959 o neoconcreto acrescentou à lógica do concretismo um experimentalismo
que singularizou e universalizou a arte construtiva brasileira. Na estilhaçada
década seguinte a geração de Waltercio Caldas não teve o conforto de um
“estilo” que os abrigasse; nessa solidão libertária, coube a cada um inventar
sua própria linguagem. Para Waltercio o aspecto construtivo, ainda que
presente, está longe de ser o protagonista único de sua poética.
Enquanto o neoconcreto convocava o espectador a interagir fisicamente com a
obra, para Waltercio o contato é de outra ordem. Se muitos objetos neoconcretos
só se realizavam inteiramente através do movimento, como os "Bichos"
de Lygia Clark, para ele as esculturas são definidas como “estáticas”, deixando
ao espectador a interação visual a partir de seu próprio deslocamento. Suas
obras possuem a prerrogativa de construir o próprio espaço e nele completarem
suas existências.
Os
objetos do artista são os sujeitos da ação articulada entre os sentidos e a
mente. Estimulam a dúvida abrindo um abismo entre o que se vê e o que se pensa.
Objetos fugidios que revelam sua transcendência apenas no momento exato para
aqueles que os descobrem no hiato entre o olhar e o entendimento. Objetos
transparentes, cujo segundo olhar será sempre uma revisão do que já foi
percebido.
Para
Waltercio interessa conferir aos objetos o poder de suas constituições antes de
serem nomeados. Preservariam, assim, a sua essência irredutível à linguagem que
viria classificá-los. Em suas próprias palavras: “Eu gostaria de produzir uma
peça com o máximo de presença e o máximo de ausência”. A inteligência visual,
aliada ao humor, permeia sua obra assim como a instauração de uma constante
dúvida sobre "O que é mundo e o que não é".
Para
Jorge Luis Borges o tempo é um labirinto de possibilidades simultâneas
desdobrando-se, portanto, em múltiplos caminhos. Ao escolhê-los definimos o que
somos. Desse modo não apenas estamos no tempo mas também o constituímos.
Convidamos
o visitante a percorrer a poética desses espaços como uma entidade que,
malgrado todas as dificuldades do mundo contemporâneo, permite à Casa Roberto
Marinho cumprir o desejo de apresentar o melhor da arte de nosso tempo.
Lauro
Cavalcanti
Diretor Casa Roberto Marinho
Abertura: 14
de maio de 2026, às 18h
Encerramento:
27 de setembro de 2026
Visitação:
terça a domingo, das 12h às 18h
(Aos sábados,
domingos e feriados, a Casa Roberto Marinho abre a área verde e a cafeteria a
partir das 9h.)
Ingressos à
venda exclusivamente na bilheteria:
R$ 10
(inteira) / R$ 5 (meia entrada)
Às
quartas-feiras, a entrada é franca para todos os públicos.
Aos domingos,
“ingresso família” a R$10 para grupos de quatro pessoas.
A Casa
Roberto Marinho respeita todas as gratuidades previstas por lei e é acessível a
pessoas com deficiência física.
Estacionamento
gratuito para visitantes, em frente ao local, com capacidade para 30 carros.
Pesquisa:
Sidnei Luciano Gouveia
Foto divulgação
(abril/2026): Waltercio Caldas – ESPELHO PARA VELÁZQUEZ, 2000 -
Instituto Casa Roberto Marinho
Fonte: Instituto
CASA Roberto Marinho
📍 Endereço: Rua Cosme
Velho, 1105 – Rio de Janeiro - RJ, Brasil
📞 Contato: +55 (21) 3298-9449

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