EXPOSIÇÃO: JORGE FONSECA - CAIXA CULTURAL SÃO PAULO


EXPOSIÇÃO: JORGE FONSECA - CAIXA CULTURAL SÃO PAULO

TRI Angulo |2011 | Acrílica s/ laminas de madeira e esmalte sintético s/ madeira

"Labirinto de Amor" reúne mais de 30 obras do artista plástico mineiro


ACAIXA Cultural São Paulo recebe, de 26 de maio a 29 de julho, a exposição "Labirinto de Amor", que reúne mais de 30 obras do artista plástico Jorge Fonseca. Com curadoria da crítica de arte Fernanda Terra, a mostra, inédita no país, apresenta criações que dão um novo significado a objetos do cotidiano e revelam um pouco da trajetória do mineiro que por mais de 15 anos foi maquinista de trem e marceneiro.

Para Jorge Fonseca, uma das principais características de sua obra é o conceito novelístico de amor, tão presente no ideário popular brasileiro, carregado de melodrama e poesia. “O meu trabalho é uma espécie de baú de memórias. Conta muito da maneira que aprendi a enxergar o mundo. Uso materiais simples, triviais, como tampinhas, linhas de costura, tecidos modestos. Tudo isso tem a ver com minha origem, com a forma como me relaciono com o outro. Cresci ao pé da máquina de costura da minha tia, cuja principal clientela era formada por moças de um bordel próximo. Entrava e saía de lá com muita frequência, e convivia muito com elas e seus objetos. Almofadas de cetim em formato de coração, uma penteadeira repleta de perfumes, bibelôs, cores, babados, rendas. Tudo isso habitava o meu imaginário e me influencia até hoje", explica.

Em obras singulares que misturam artesania, arte conceitual, pop e kitsch, há uma forte atitude contemporânea. Para a curadora da exposição, Jorge Fonseca é um grande observador do cotidiano e das relações humanas, afetivas. “Por mais que sua obra aborde questões de cultura popular novelística, folclore e religiosidade, o amor se destaca. É um reflexo de como ele enxerga o outro, sempre de um jeito carinhoso. É o que chamo de 'obra desfrutável'. As pessoas se envolvem emocionalmente com as histórias contadas por cada peça. É algo que fala do real, da vida como ela é, mas não de uma forma endurecida e, sim, cheia de afeto. É difícil observar uma das obras e não abrir um sorriso. E ao mesmo tempo é ácida, irônica, remete aos sentimentos mais íntimos”, ressalta.

A exposição é também um convite a interagir com o universo lúdico de Jorge Fonseca. Na instalação Fiotim, há peças interativas que despertam sensações no público.  Uma delas é a obra "Renascedouro", uma espécie de tiro ao alvo no qual o visitante é estimulado a derrubar fraquezas humanas como medo, inveja, tédio, raiva ou preguiça.  “A mostra sugere a observação da nossa vida e da vida do outro de um jeito diferente. São obras que contam histórias, falam de percalços, sofrimentos, humores e alegrias tão familiares às pessoas. É como o nome da exposição sugere: a vida nada mais é que um grande labirinto de situações inesperadas”, conclui Fernanda Terra.

Sobre Jorge Fonseca:
Jorge Fonseca nasceu em Conselheiro Lafaiete, a 100 km da capital mineira. Era nos intervalos da jornada de trabalho, como maquinista, que ele aproveitava para dar vida às suas criações, no início da década de 1990. “Isso ajuda a explicar a predominância do bordado na minha obra nessa fase. Eu passava longos períodos no trem, em demoradas viagens, quase não tinha tempo para exercer o ofício em casa. Levava para a cabine tecidos, linhas, agulhas, materiais de armarinho e bordava ali mesmo, durante as longas paradas do trem”, conta o artista.

Nessa época, em 1995, ele foi convidado a integrar o Salão de Arte Contemporânea de Campos (RJ) e no ano seguinte conquistou seu primeiro prêmio no mesmo salão fluminense e no 53º Salão Paranaense. Em 2009 foi contemplado com uma bolsa da Fundação Pollock-Krasner (Nova York), para estímulo à produção. Foi o vencedor do último Prêmio PIPA Online, em 2017. Sua obra integrou dezenas de exposições coletivas e individuais em respeitados espaços como a Pinacoteca de São Paulo, MAM Rio, Funarte do Rio de Janeiro e Brasília, Palácio das Artes, 6ª Bienal de Arte Contemporânea de Kaunas, na Lituânia, Feira Internacional de Arte de Buenos Aires, Quadrienal de Praga, na República Tcheca, entre outros.

Serviço:
Exposição "Labirinto de Amor", de Jorge Fonseca
Local: CAIXA Cultural São Paulo - Praça da Sé, 111 - Centro
Abertura e visita guiada com Jorge Fonseca: 26 de maio (sábado), às 11h
Visitação: de 27 de maio a 29 de julho
Horário: 9h às 19h (terça a domingo)
Classificação indicativa: livre para todos os públicos
Entrada franca
Acesso para pessoas com deficiência
Patrocínio: Caixa Econômica Federal

VIVA A ARTE!

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