Arte Século XX (Lucilio e Georgina de Albuquerque)
Um Novo Século e Novos Talentos
No ìnicio do Século XX, Surge uma nova geração de pintores que torná-se elo para a pintura moderna, que destacam-se Lucilio e Georgina de Albuquerque. Casal de Pintores que, juntos, seguem para Paris a fim de completar sua formação profissional. Logo se emporem com obras que abrem para a pintura brasileira caminho nvo que irá se enriquecendo de oportunas condições para vencer o retardamento em que se encontrava com relação aos novos conceitos estéticos e suas correlatas conquistas técnicas. Algumas destas já superadas, sem que nossa pintura delas se houvesse benefíciado para a evolução a passo igualcom que sucedia nos grandes centros, onde precisamente iam aprimorar-se nossos artistas.
| (Albuquerque, Lucílio. Georgina de Albuquerque, tela, 1907, Pinacoteca de SP) |
ALBUQUERQUE, Lucilio de (1877-1939). Nascido em Barras (PI), filho de um magistrado e descendendo de tradicional família pernambucana, Lucílio de AIbuquerque destinava-se também à carreira jurídica, chegando a cursar a Faculdade de Direito de São Paulo, que abandonou logo no 1° ano.
Felizmente o dia seguinte trouxe-me o alento, enxugou-me as lágrimas e deu-me ânimo para continuar nessa luta, que nunca mais cessou, e para a qual também nunca mais me faltou a coragem precisa.
Expôs pela primeira vez no Salão de 1902, no qual obteve menção de 2º grau; no mesmo certame receberia sucessivamente menção de 1º grau (1904) , medalha de prata (1907), pequena medalha de ouro (1912, com Despertar de Ícaro) grande medalha de ouro (1916) e medalha de honra (1920, com Retrato de Georgina).
Em 1906 foi-lhe atribuído o prêmio de viagem à Europa da Escola, pela tela Anchieta escrevendo o Poema da Virgem. A 31 de março do mesmo ano casara-se com uma colega primeiranista, Georgina de Moura Andrade - a futura grande artista Georgina de Albuquerque -, juntos seguindo para a França, para uma permanência de cinco anos.
Em Paris freqüentou a Académie Julian, aperfeiçoando-se com Marcel Baschet, Henry Royer e Jean-Paul Laurens, e também o ateliê de Grasset, tal como Visconti alguns anos antes. Ao lado daquela orientação conservadora, e do breve interlúdio decorativista, sob a égide de um dos corifeus do Art Nouveau, Lucílio não deixaria igualmente de observar as tendências estéticas mais em voga, deixando-se mesmo seduzir por procedimentos impressionistas e simbolistas, visíveis em suas pinturas realizadas entre 1906 e 1911 (Etang de Triveau, Paisagem de Lemesnil, Primavera em França, Paraíso Restituído, Freira e Enfermo, Sono, Despertar de Ícaro, Prometeu, Visão de Floresta, Dante, etc.).
Por quatro vezes, de 1908 a 1911, expôs no Salon des Artistes Français, sendo que nesse último ano exibiu sua pintura talvez mais conhecida, Despertar de Ícaro, um tema que lhe nascera ao presenciar, em 1906, o vôo pioneiro de Santos Dumont em Paris, intermesclado, porém, a toda uma gama de elementos esotéricos, rosacrucianos.
Retornando ao Brasil em 1911, e após realizar, ao lado de Georgina, uma grande exposição, agrupando 107 trabalhos, na Escola Nacional de Belas Artes, Lucílio tornou-se professor de Desenho da instituição, assumindo a cátedra respectiva em 1916.
Bom mestre, que respeitava a personalidade dos jovens discípulos, coube-lhe iniciar a, entre tantos outros, Cândido Portinari. Por pouco mais de ano, entre janeiro de 1937 e março de 1938, dirigiu inclusive a Escola, da qual se afastou por motivo de saúde, para falecer meses mais tarde, a 19 de abril de 1939.
Lucílio de Albuquerque praticou todos os gêneros, tendo-se destacado sobremodo como paisagista e pintor de figuras. Ele mesmo diria, de certa feita:
Não tenho propriamente um gênero predileto. Pinto com o mesmo entusiasmo a marinha e a paisagem. Todavia confesso-lhe que fico mais satisfeito toda vez que realizo um quadro de idéia, que faça pensar.
A quadros de idéias referira-se também, anos antes, o grande Oliveira Lima, ao escrever sobre Despertar de Ícaro em 1912:
Não se quis o artista limitar a reproduzir a natureza, quero dizer, a interpretá-la. Aspira a dar nas telas as idéias que são expressão legítima da sua inteligência e a correlação necessária da sensibilidade, fundamento da arte.
Mas, ao lado da pintura de cavalete, executou o artista vitrais para o Pavilhão Brasileiro na Exposição de Turim de 1911, e murais para o antigo Conselho Municipal, depois Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro.
| Despertar de Ícaro (1910), por Lucílio de Albuquerque, Acervo do Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro |
Trabalhando infatigavelmente, realizou inúmeras exposições, não só no Rio de Janeiro, como ainda em São Paulo (inclusive sua última, em 1936, ao lado da mulher), Salvador, Recife, Porto Alegre e Campos. De uma viagem a Salvador, em 1924, trouxe um punhado de óleos marcados pela luminosidade característica da cidade, refletida não já em pinceladas, porém em golpes de espátula, recurso do qual nunca mais se afastaria.
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| (Garibaldi e a esquadra Farroupilha, Lucílio Albuquerque) |
Estilisticamente, pode-se dizer que Lucílio partiu das sombras para a luz, tornando-se sua paleta mais e mais clara, à medida que sua arte amadurecia.
Afastando-se gradativamente de uma concepção realista da forma, obtida com o emprego de sólido desenho, o artista chegaria, no final da carreira, a efeitos cromáticos quase expressionistas: pela modernidade e originalidade que ostentam, são muito apreciadas suas paisagens de tonalidades violáceas inconfundíveis, extravasadas numa textura opulenta, obtida à espátula.
Conquistado pela pintura de plein-air, Lucilio tornara-se, em começos do Séc. XX, um dos representantes tardios do Impressionismo no Brasil; espírito curioso, ainda em 1920, com o Retrato de Georgina, procurava renovar-se, buscando então uma estilização e um despojamento de planos que, de certa maneira, o aproximam do Art Déco.
Após sua morte, Georgina de Albuquerque organizou, na residência do casal em Laranjeiras (RJ), o Museu Lucílio de Albuquerque, cujo acervo de 127 obras hoje pertence ao Estado.
Uma exposição póstuma, levada a efeito em 1940 pelo Ministério da Educação e Saúde, evocou o artista recém-desaparecido. E em 1977, para celebrar o centenário de seu nascimento, o Museu Nacional de Belas-Artes reuniu pinturas, aquarelas e desenhos tanto de Lucílio como de Georgina de Albuquerque.
Fontes: História da Pintura Brasileira no Séc. XIX - COMPOFIORITO, Quirino. Pág. 233,234.
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