4 de fev de 2014

A ARTE DO TUNGA

TUNGA

Foto: Autor desconhecido

Antônio José de Barros de Carvalho e Mello Mourão, conhecido como Tunga, Nascido em Palmares/PE - Brasil em 1952. Desenhista, Escultor e artista performático.

Galeria True Rouge - Tunga, 1997

Um Artista contemporâneo Brasileiro, Tunga realiza seus trabalhos investigando áreas do conhecimento como a literatura, filosofia, psicanálise, teatro, além de disciplinas das ciências exatas e biológicas.
Exposição TUNGA - Divulgação
Filho do escritor Gerardo de Mello Mourão, Tunga conhece o modernismo brasileiro muito cedo. Inicia sua carreira nos primeiros anos da década de 1970. Na época, faz desenhos e esculturas. Traça imagens figurativas com temas ousados, como na série Museu da Masturbação Infantil (1974). Na segunda metade da década, realiza peças tridimensionais e instalações. Utiliza correntes, lâmpadas, fios elétricos e materiais isolantes, como o feltro e a borracha. Os elementos são bem cuidados formalmente e têm desenho elegante. O artista busca relações fortes entre os diferentes materiais. Como na obra do artista alemão Joseph Beuys (1921-1986), a justaposição deles busca modificar o seu sentido simbólico. Nas peças de feltro, feitas entre 1977 e 1980, sugere relações de troca de energia entre as partes da obra. O tecido envolve os fios e circunda uma lâmpada. A comunhão dos dois insinua a criação de uma fonte de energia.

Exposição TUNGA - Divulgação

Em 1980, monta a instalação Ao, em que mostra um filme feito em uma seção curva do túnel Dois Irmãos, no Rio de Janeiro. O trecho se repete, como se a câmera andasse em círculos pelo trajeto, sem encontrar saída e nem entrada. O artista sugere uma estrutura circular no interior de uma rocha, sem comunicação com o espaço exterior. Segundo o crítico de arte Carlos Basualdo, "Tunga declara que o processo de realização desta obra o conduziu para bem longe de suas intenções iniciais, internando-o em uma série talvez tão infinita quanto o próprio túnel de relatos enigmáticos e descobertas quase arqueológicas".

Foto: Divulgação

Depois dessa obra, seguiram-se vários outros trabalhos, em que explora peças com feição de curiosos achados da arqueologia ou das ciências naturais. Em Les Bijoux de Mme. Sade (1983), Tunga constrói um círculo de metal com a forma de um osso. O interesse pela aberração arqueológica é conjugado ao gosto por formas herméticas. Nos anos de 1980, cria outras situações fantásticas, como Vanguarda Viperina (1986) eXipófagas Capilares Entre Nós (1985). Em ambos, tenta extrair sentidos simbólicos de situações que se desviam da normalidade. Naquele momento, as obras passam a se referir umas às outras. O artista descreve seu trabalho como "um conjunto de trabalhos; onde um sempre leva ao outro, como se entre eles existisse um ímã".2 Este caráter auto-referente é enfatizado no vídeo Nervo de Prata (1987), feito em parceria com Arthur Omar (1948). No filme, as obras repercutem umas nas outras, constituindo um universo à parte.

Foto: Divulgação

Segundo Carlos Basualdo, Tunga, em 1989, define seu projeto estético como: "redefinir a escultura já não só como o volume estático, mas também como o agrupamento destas formas em expansão e a relação entre elas". Em Lizarte (1989), esse campo de relações entre diferentes materiais é constituído com objetos recorrentes na poética do artista. Reaparecem os cabelos, os tacapes, o ímã e as tranças. Na década de 1990, as relações energéticas entre metais diferentes e a recorrência de figuras de um repertório são cada vez mais freqüentes na obra do artista. A relação violenta entre os ímãs ressurge emLúcido Nigredo (1999). A partir dessa década, a expansão das peças muitas vezes é conquistada na interação do trabalho tridimensional com as performances, como emInside Out, Upside Down (Ponta Cabeça) (1994/1997) e Resgate (2001).

Exposição TUNGA - Divulgação

Fonte:
www.tungaoficial.com.br
www.itaucultural.org.br

BASUALDO, Carlos. Uma vanguarda viperina. In: TUNGA. Tunga: 1977-1997. Miami: Museum of Contemporary Art, 1998. p. 42.




VIVA A ARTE!   


BY LUGOUV
            

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