24 de mai de 2013

A ARTE DE FRIDA KAHLO

Frida Kahlo

Foto: Divulgação

Magdalena Carmen Frida Kahlo y Calderon – Uma lenda da arte mexicana. Uma mulher guerreira, Patriota declarada, Comunista e Revolucionária. Teve uma vida de superações e sofrimentos que refletidos em sua obra a tornaram uma das maiores pintoras do século.

Foto: Divulgação

Nascida em 6 de julho de 1907 em Coyoacan - México, filha do famoso fotógrafo judeu-alemão Guillermo Kahlo e de Matilde Calderon y Gonzales, mestiça, Frida Kahlo sempre foi apaixonada pela cultura de seu país e adorava tudo que remetesse às tradições mexicanas. Fato que ela sempre fazia questão de demonstrar em sua maneira de se vestir e em seu trabalho ao incluir elementos da cultura popular.

Em seu diário, publicado em 1995 e traduzido para diversas línguas, e em sua autobiografia publicada em 1953, Frida Kahlo  deixou registradas suas dores e sobretudo suas frustrações pela infidelidade do marido, por quem era extremamente apaixonada, e pela impossibilidade de ter filhos. Toda sua obra, constituída majoritariamente por auto-retratos reflete essa condição.


Foto: Divulgação


Sua primeira tragédia acontece quando ela tinha seis anos e uma poliomielite a deixou de cama por vários dias. Como seqüelas, Frida Kahlo fica com um dos pés atrofiado e uma perna mais fina que a outra. Mas o fato trágico que mudaria sua vida para sempre aconteceu quando ela tinha dezoito anos.

Frida Kahlo na época estudava medicina na primeira turma feminina da escola Preparatória Nacional. Então, no dia 17 de setembro de 1925, na volta para casa, ela e seu noivo Alejandro Goméz Arias, sofreram um grave acidente de ônibus que a deixou a beira da morte. Transpassada por uma barra de ferro pelo abdômen e sofrendo múltiplas fraturas, inclusive na coluna vertebral, Frida Kahlo levou vários meses para se recuperar. Ao todo foram necessárias 35 cirurgias e mesmo depois da recuperação ela teria complicações por causa do acidente pelo resto de sua vida chegando a relatar:

 “E a sensação nunca mais me deixou, de que meu corpo carrega em si todas as chagas do mundo.” F.K

Foi durante o período em que esteve se recuperando que surgiu a pintora. Sua mãe colocou um espelho sobre sua cama e um cavalete adaptado para que ela pudesse pintar deitada e Frida Kahlo fez seu primeiro auto-retrato dedicado a Alejandro que a havia abandonado:

“Auto-retrato com vestido de Terciopelo” F.K

Sobre sua obstinação em pintar auto-retratos, 55 ao todo, que representam um terço de toda sua obra ela justificava dizendo:

“Pinto a mim mesma porque sou sozinha e porque sou o assunto que conheço melhor” F.K

Dois anos depois do acidente Frida Kahlo leva três de seus quadros a Diego Rivera, um famoso pintor da época que ela conhecera quando freqüentava a Escola Preparatória Nacional em 1922, para que os analisasse. Esse encontro resultou no amor de ambos e na revelação de uma grande artista.

                                                                                        Frida Kahlo e Diego Rivera

Em 21 de agosto de 1929 eles se casam, Frida Kahlo então com 22 anos e Diego Rivera com 43, dando início a um relacionamento dos mais extravagantes da história da arte. Em 1930 Frida Kahlo engravida e sofre seu primeiro aborto ficando muito abalada pela impossibilidade de levar adiante uma gravidez devido a seu estado de saúde delicado. Sobre essa dor ela confessou:

“Pintar completou minha vida. Perdi três filhos e uma série de outras coisas que teriam preenchido minha vida pavorosa” F.K

No mesmo ano, já tendo recuperado sua mobilidade, porém com limitações e tendo que usar freqüentemente um colete de gesso, Frida Kahlo acompanha Diego Rivera em suas viagens aos EUA revelando seu talento para o resto do mundo e encantando a todos com seu jeito irreverente e único.

Retrato de Diego Rivera e Malu Block e Frida Kahlo de Rivera - 19/03/1932 - Foto. Carl Van Vechten 


Em 1932 ela sofre seu segundo aborto sendo hospitalizada em Detroit (EUA), e sua mãe morre de câncer no dia 15 de setembro do mesmo ano. Em 1934 o casal está de volta ao México, mas Frida Kahlo sofre novo aborto e tem os dedos do pé direito amputados. O relacionamento com Diego Rivera piora e ele começa a traí-la com sua irmã mais nova Cristina. No ano seguinte Frida Kahlo e Diego Rivera se separam e Frida Kahlo conhece o escultor Isamu Noguchi com tem um caso, mas logo ela e Diego Rivera se reconciliam e voltam a morar juntos no México.

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Em 1936 novas cirurgias no pé além de persistentes dores de coluna, um problema de úlcera, anorexia e ansiedade. Apesar de tudo, em 1937, Frida Kahlo conhece Leon Trotski que se refugia em sua casa em Coyoacan junto com a esposa Natalia Sedova. Leon Trotski foi seu mais famoso caso de amor.

Leon Trotsky com sua esposa, Natalia Sedova e artista mexicana Frida Kahlo - 0701/1937 Autor Desconhecido


Em 1938, Frida Kahlo conhece André Breton, escritor, poeta e famoso teórico do surrealismo, que se encanta por sua obra e lhe apresenta Julian Levy, colecionador e dono de uma galeria em Nova York, responsável por organizar a primeira exposição individual de Frida Kahlo, realizada em 1939.

A exposição foi sucesso absoluto e ela logo estava realizando exposições em Paris onde conheceu grandes artistas como Pablo Picasso, Kandinsky, Marcel Duchamp, Paul Eluard e Max Ernst. Frida Kahlo foi a primeira pintora mexicana a ter um de seus quadros expostos no Museu do Louvre, mas foi apenas em 1953, um ano antes de sua morte, que ela consegue realizar uma exposição de suas obras na Cidade do México.

Ainda em 1939 Frida Kahlo e Diego Rivera se separam novamente, desta vez oficialmente, mas voltam a se casar em 8 de dezembro do ano seguinte.

      A Coluna Partida
                                                                               

Em 1941 morre Guillermo Kahlo e ela e Diego Rivera mudam-se para a “Casa Azul”, hoje um museu em sua homenagem. Em 1942 ela começa a escrever seu famoso diário onde escreve sobre todas as suas dores e pensamentos em um emaranhado de textos propositadamente sobrepostos, cheio de ilustrações e cores.


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De 1942 a 1950 Frida Kahlo é eleita membro do Seminário de Cultura do México, passa a dar aulas na escola de arte “La Esmeralda”, mas sua saúde cada vez pior a obriga a lecionar em casa. Com o quadro “Moisés”, Frida Kahlo ganha o Prêmio Nacional de Pintura concedido pelo Ministério da Cultura do México. Nesse período ela também é obrigada a fazer mais de seis cirurgias e usar um colete de ferro que quase a impede de respirar permanecendo longos períodos no hospital e tendo de usar uma cadeira de rodas.

Em agosto de 1953 ela tem sua perna amputada na altura do joelho devido a uma gangrena. Sobre mais esse duro golpe Frida Kahlo escreve em seu diário:

''Amputaram-me a perna há 6 meses, deram-me séculos de tortura e há momentos em que quase perco a razão. Continuo a querer me matar. O Diego é que me impede de o fazer, pois a minha vaidade faz-me pensar que sentiria a minha falta. Ele disse-me isso e eu acreditei. Mas nunca sofri tanto em toda a minha vida. Vou esperar mais um pouco...''. F.K

Hospital Henry Ford ou A cama voando

No mesmo diário ela também desenhara uma coluna cercada por espinhos com a legenda:

“Pés, para que os quero se tenho asas para voar.” F.K

Revelando a ambiguidade de seus sentimentos com relação a todo seu sofrimento.

A idéia da morte parecia algo tranqüilizador para Frida Kahlo que tivera uma vida tão conturbada e freqüentemente ela se refere a isso em seu diário e em sua autobiografia, porém mais do que nunca ela tenta se agarrar a vida, pois como ela dizia:

“...a tragédia é o mais ridículo que há...” e “...nada vale mais do que a risada...” . F.K

Mas sua condição delicada não a impediu de participar, mesmo em uma cadeira de rodas de uma manifestação contra a intervenção norte-americana na Guatemala em 1954.

 Árvore da Esperança permanecem firmes
                                                                           

Na noite de 13 de julho daquele mesmo ano Frida Kahlo é encontrada morta em seu leito. A versão oficial divulgou que ela teve morte por embolia pulmonar, mas suas últimas palavras em seu diário foram:

“Espero a partida com alegria...e espero nunca mais voltar... Frida.”.





Recomendações:


Filme: Frida


Baseado na biografia da pintora mexicana Frida Kahlo, o filme enfoca a vida amorosa da artista (Vivida pela atriz Salma Hayek). Desde seu casamento aberto com Diego Rivera (Alfred Molina), com quem revolucionou o mundo das artes - especialmente a mexicana -; passando por seu controverso caso com o político Leon Trotsky (Geoffrey Rush); e culminando nos seus provocantes romances com mulheres. No México, o trabalho de Julie Taymor causou polêmica e desagradou aos críticos.



Fontes:

Wilkipedia: disponível em: http://en.wikipedia.org/wiki/Frida_Kahlo


Viva a Arte!

By Lugouv


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