1 de mar de 2012

FOTOGRAFIA E POESIA - SIDNEI LUGOUV

F o t o g r a f i a
e
P o e s i a


Foto: Sidnei Gouveia (Hora do Adeus) 2012


Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando julgar necessário.
Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a.
Se perder um amor, não se perca!
Se o achar, segure-o!

Fernando Pessoa


Foto: Sidnei Lugouv - Oca - parque do Ibirapuera - São Paulo/SP - Brasil

As sem-razões do amor
Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários
.


Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor
.

Carlos Drummond de Andrade


Foto: Sidnei Lugouv - (Além do Céu)  - Parque do Ibirapuera - São Paulo/SP - Brasil


Ternura

Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor
seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentando
Pela graça indizível
dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura
dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer
que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas
nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras
dos véus da alma...
É um sossego, uma unção,
um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta,
muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite
encontrem sem fatalidade
o olhar estático da aurora.

Vinícius de Moraes

Foto: Sidnei Lugouv  - parque do Ibirapuera - São Paulo/SP - Brasil



Soneto a quatro-mãos

Tudo de amor que existe em mim foi dado
Tudo que fala em mim de amor foi dito
Do nada em mim o amor fez o infinito
Que por muito tornou-me escravizado.

Tão pródigo de amor fiquei coitado
Tão fácil para amar fiquei proscrito
Cada voto que fiz ergueu-se em grito
Contra o meu próprio dar demasiado.

Tenho dado de amor mais que coubesse
Nesse meu pobre coração humano
Desse eterno amor meu antes não desse.

Pois se por tanto dar me fiz engano
Melhor fora que desse e recebesse
Para viver da vida o amor sem dano.

Vinícius de Moraes


Foto: Sidnei Lugouv - "carro popular" - Avenida Paulista - São Paulo/SP - Brasil

A riqueza do olhar

Li uma história sobre a pobreza
Uma história tão rica
E de tal beleza
Que encheram meus olhos de lagrima

Fez-me perceber
A riqueza de quem só reclama
Com a pobreza de sua alma
Quem pede tudo
E só pra si

A alegria de um bolo de fubá
Que não é de aniversário
Mas que pela pobre mãe com velas é adornado
Para o seu parabéns cantar

E a criança tão pura
E com tal beleza
Que não percebe a pobreza
E se põe a cantar

Para depois apagar as velhinhas
De seu pedaço de bolo de aniversário
Isso mesmo
De seu PEDAÇO de bolo de fubá de aniversário
Somente aquele pedaço
Seu pai pode comprar
E em um boteco celebram um ritual
De mais um ano ver passar

A ternura no rosto da mãe
Parece à Deus implorar
Por uma vida melhor para sua filha
A vida que ela ainda não pode dar

Lucio Medina


Foto: Sidnei Lugouv - Entre o Céu e a Terra - Avenida Paulista - São Paulo/SP - Brasil


ALÉM DA TERRA, ALÉM DO CÉU

Além da Terra, além do Céu,
no trampolim do sem-fim das estrelas,
no rastro dos astros,
na magnólia das nebulosas.
Além, muito além do sistema solar,
até onde alcançam o pensamento e o coração,
vamos!
vamos conjugar
o verbo fundamental essencial,
o verbo transcendente, acima das gramáticas
e do medo e da moeda e da política,
o verbo sempreamar,
o verbo pluriamar,
razão de ser e de viver.

Carlos Drummond de Andrade


Foto: Sidnei Lugouv - Região da Rua 25 de Março- São Paulo/SP - Brasil

BRASILIS

Somos todos índios
caboclos,mulatos,
negros...
Vivemos nos Pampas,
na Caatinga,na Restinga,
no Cerrado...
Estamos no mesmo barco!
Num "navio negreiro"
camuflado;
Navegando Chicos,
Tiêtes,Negros...
Somos filhos de um só Brasil,
que são tantos !
Irmãos das Raparigas (ou Marquesas?)
do Porto de Santos...
Somos todos pajés,caciques,
curumins insanos...
Tocando a vida;
escondendo o pranto...
Vivemos todos "sob o mesmo céu"
de uma terra linda, de "um pau de tinta"
chamado BRASIL!

Aline Romariz


Viva a Arte!
By Lugouv.




Nenhum comentário:

Postar um comentário